sábado, 9 de outubro de 2010

Maior vitrine do governo Serra é alvo de denúncias de corrupção e crimes ambientais

Texto: Bárbara Lopes
http://www.advivo.com.br/blog/babilopes/rodoanel-crimes-ambientais-e-corrupcao

O caso do Rodoanel é exemplar, porque desmonta, numa tacada só, os mitos do Serra e do PSDB ambiental, ético e competente.

O trecho sul foi entregue, mesmo sem ter a sinalização e iluminação completas, em 30 de março deste ano, um dia antes de José Serra deixar o Palácio dos Bandeirantes para se candidatar à presidência. Com 57 quilômetros de extensão, a obra consumiu sete anos e cerca de R$ 5 bilhões (mais de R$ 87 milhões por quilômetro).

No decorrer das obras, diversas denúncias de problemas ambientais surgiram. Mortes de animais silvestres, incluindo espécies em extinção, como veados catingueiros e preguiças (1). Segundo estudo do SOS Mata Atlântica em parceria com o Inpe, cerca de 700 hectares de Mata Atlântica foram perdidos na região (2). O plantio de mudas como compensação ambiental, no entanto, não se refere ao total atingido e sofreu atrasos (3). A ex-ministra e ex-candidata Marina Silva foi uma das vozes a criticar as compensações previstas (4). O Rodoanel avançou por áreas de mananciais que abastecem as represas Billings e Guarapiranga, causando aterro de alguns córregos e assoreamento na Billings (5). As represas são responsáveis pelo abastecimento de água de 4 milhões de pessoas. Além disso, há o temor que a via estimule a ocupação urbana de áreas de preservação. Embora o governo argumente que isso não deve acontecer, devido ao controle de acessos, as áreas cortadas pelo Rodoanel tiveram seus terrenos valorizados em 50% (6).

As denúncias não se limitaram a questões ambientais. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União, divulgada em abril de 2009, encontrou compras feitas por valores até 30% acima do previsto no orçamento. "Para reduzir os custos, ainda segundo o TCU, as empresas contratadas alteraram métodos construtivos com redução no número de vigas usadas em pontes, substituição de estacas metálicas por pré-moldadas e troca de areia por brita em muros de contenção, por exemplo" (7). Coincidência ou não, em novembro do mesmo ano um desabamento de vigas deixou três feridos (8). A Polícia Federal encontrou indícios que a Camargo Correa, uma das empreiteiras contratadas para as obras, pagou propinas a membros da administração tucana (9).

Um dos envolvidos na denúncia é Paulo Vieira de Souza (10), ex-diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa de capital misto do governo do Estado), responsável pelo Rodoanel. Ligado ao recém-eleito senador Aloysio Nunes Ferreira, Paulo Preto, como é conhecido, ganhou os noticiários eleitorais com a espantosa história de que teria arrecadado R$ 4 milhões para a campanha tucana, mas não teria repassado o dinheiro (11).

Há um ditado que diz "tudo bem quando acaba bem". Mas não parece ser este o caso. Pouco mais de dois meses após a inauguração do Rodoanel Sul, os caminhoneiros desistiram da nova via e voltaram à avenida dos Bandeirantes, devido ao aumento nos custos (12) - isso levando em consideração que o pedágio previsto para a rodovia ainda não foi implantado (13). E o trânsito em São Paulo? Esse, quem mora na cidade sabe, continua caótico.

1 - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090406/not_imp350604,0.php
2 - http://noticias.terra.com.br/transito/interna/0,,OI4450920-EI11777,00-Ambientalistas+condenam+trecho+sul+do+Rodoanel+em+SP.html
3- http://www.jt.com.br/editorias/2010/05/27/ger-1.94.4.20100527.21.1.xml
4 - http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Politica/16454/Em+visita+ao+ABCD,+Marina+Silva+critica+o+Rodoanel
5 - http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2010/03/30/com-dois-anos-de-atraso-serra-inaugura-trecho-sul-do-rodoanel-em-sua-ultima-acao-no-governo-de-sp.jhtm
6 - http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/17733_A+ECONOMIA+DO+RODOANEL
7 - http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u551359.shtml
8 - http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u652418.shtml
9 - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI140500-15223,00-ECOS+DO+BURACO+TUCANO.html
10 - http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/homem-bomba-tucano-aloysio-nunes
11 - http://www1.folha.uol.com.br/poder/789581-ex-diretor-da-dersa-acusado-de-desviar-doacoes-ao-psdb-vai-a-justica-contra-tucanos.shtml
12 - http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/755640-apos-melhora-no-transito-caminhoes-retornam-a-av-dos-bandeirantes.shtml
13 - http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/08/edital-para-construcao-do-trecho-leste-do-rodoanel-e-publicado-em-sp.html

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Distribuição do capital político após as eleições

Liberais e socialistas podem se decepcionar, mas a democracia burguesa funciona como um mercado de votos, revelado por Schumpeter. Em uma democracia ideal o debate entre projetos de futuro norteariam a distribuição dos votos no mercado, através de ofertas programáticas que os eleitores distinguiriam entre as realistas e as desejáveis.

Na democracia real e imperfeita em que vivemos diversos outros valores influenciam no mercado de votos, como interesse privado, tradição, preconceito, propaganda, modismo, crença, religião e, inclusive, propostas para o futuro do país. Nesta eleição, como em outras, todos os fatores se misturaram, e não é possível distingui-los de maneira exata, pois se misturaram no torvelinho das relações sociais.

O exercício que faremos não pretende explicar as complexas relações sociais em torno do voto, apenas traçar alguns "tipos ideais" que congregam votos e contribuem para o acúmulo de capital político, através do processo de mais-valia política, que não será analisado. Para simplificar, digamos que a mais-valia política pode ser entendida com a mera transposição do conceito econômico de Marx para o universo político.

Os tipos ideais de eleitores que identificamos são: o Conservador, o Social Democrata, o Esquerdista, o Desinteressado e o Indignado. Quem é familiarizado com a teoria Weberiana dos tipos ideais sabe que não se encontrará nenhum "tipo puro" andando pela rua, e que todas as pessoas mesclam diversos tipos,  possivelmente com algum deles sendo preponderante. O Ambientalista pode estar surgindo como um novo componente desta tipologia, mas por enquanto será considerado como um sub-tipo do Social Democrata.

Antes de prosseguir a análise, vejamos o resultado que sai das urnas, que é claro, mas de complexo entendimento, simultaneamente.

Dilma 35,09
Abstenção, Brancos e Nulos 25,19
Serra 24,4
Marina 14,46
Plínio 0,65
Outros 0,21

Vamos ver outra tabela, esta não censitária, mas sim amostral, que, no entanto não deixa de sinalizar a distribuição do capital político no país. A tabela a seguir representa a preferência por partidos no Brasil, segundo pesquisa IBOPE.

PT 27
PMDB 5
PSDB 5
Outros 4
PV 3
PDT 2
Não tem preferência 54

Agora vejamos as bancadas na Câmara dos Deputados por partido.
Partido Deputados %
PT 88 17,15
PMDB 79 15,4
PSDB       54 10,53
DEM 43 8,38
PR 40 7,8
PP 40 7,8
PSB 34 6,63
Outros 32 6,24
PDT 26 5,07
PTB 20 3,9
PcdoB 15 2,92
PSC 14 2,73
PPS 14 2,73
PV 14 2,73

Cabe dizer que o método de análise é altamente subjetivo e arbitrário, e não se pretende científico em nenhum momento. Observando as tabelas acima, podemos especular que:

. Lula sai menor das urnas do que se imaginava, pois a votação de Dilma foi a votação de um eleitorado fidelizado pelo PT ao longo de décadas. Dilma obteve 35% de votos, sendo que o PT é o partido preferido de 27% da população. Os outros partidos da coligação podem ter mobilizado 3% dos votos, sendo que Lula talvez tenha conseguido amealhar apenas 5% de votos fora do arco de alianças, sem contar com os seus votos já contabilizados na preferência pelo PT.

. Ao contrário do que se afirma, o capital político do PT é maior do que o de Lula, mesmo sendo este o principal acionista do capital político do partido. Isso os vincula de maneira irrevogável, pois se Lula tentasse sacar seu capital político, o PT "quebraria" antes do saque se completar. O capital político do PT se constrói em cima do perfil do Social Democrata e do Esquerdista, tendo como público principal a social democracia, que almeja a justiça social, e depois o esquerdista que almeja o socialismo.

. Houve uma troca no eleitorado petista, que perdeu votos na classe média e na elite e ganhou votos nas classes menos favorecidas. Os votos da classe média e elite que o PT perdeu migraram principalmente para Marina e são compostos por Sociais Democratas / Ambientalistas e Indignados.

. A votação expressiva de Marina Silva se deu amealhando quase a totalidade do perfil Indignado, que já foi capital político petista um dia e é composto por uma parte expressiva da elite intelectualizada. Parte deste eleitorado é composto pela "opinião pública" influenciada pela mídia. Marina também amealhou os Ambientalistas, que ainda não chegam a compor um estrato a parte da sociedade, pois muitos deles estão expressos nos Indignados e outros tantos nos Sociais Democratas. E por último, e não menos importante, Marina obteve o voto Conservador religioso, sendo a maior beneficiada da onda de boatos em torno do aborto e do ateísmo.

. Os Conservadores encolheram nesta eleição. Seus votos estão divididos entre Conservadores convictos - direitistas de diversas matizes, desde reacionários, passando por liberais clássicos e chegando aos religiosos - e entre a "opinião pública" formada pela grande mídia. Os partidos da direita se enfraqueceram enquanto legítimos representantes do pensamento conservador, apesar das expressivas vitórias nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A mídia ocupou em grande parte este papel político de agregar os conservadores dos mais diversos matizes.

. O PSDB e José Serra deixaram de representar um projeto político social democrata para o país, projeto este que bem melhor executado pelo governo do PT, e passaram a representar a direita mais conservadora e reacionária, tendo boa parte dos votos oriundo do preconceito de classes e outra boa parte oriundo da força da imprensa sobre a chamada "opinião pública", que expressa o principal capital eleitoral da grande mídia. O capital político do PSDB foi em grande parte tomado de empréstimo da mídia.

. A grande mídia surge como a grande força política conservadora e reacionária no país. Seu poder político está assentado na capacidade de apresentar e disseminar versões como se fossem realidade factual. Seu poder político é livre de amarras, pois a grande imprensa não é tratada na legislação como uma força política que disputa o poder na democracia, que participa do jogo político. Desfruta de um status de força superior que paira acima da democracia, muitas vezes se auto intitulando como o pilar central desta - ao invés do voto - e como seu principal fiador - no lugar do povo.

. O fato de não existir freios e contra-pesos ao exercício do poder pela grande mídia coloca ao Brasil uma distorção profunda no processo político democrático, verificado também em outros países. Este fato político é agravado pela inexistência de grandes grupos midiáticos de esquerda ou que apresentem de fato uma visão eqüidistante da realidade. O já folclórico "Senador(a) da RBS" é um ícone representativo deste processo.

. O volume de abstenção, votos brancos e nulos representam os Desinteressados, grupo que possui uma grande proximidade comportamental e/ou ideológica com os Indignados. Este grupo representou nestas eleições a segunda maior presença/ausência nas urnas, e é composto por pessoas que acham que a política não muda nada em suas vidas, ou que simplesmente acham que seus votos individuais não vão mudar nada na política. O "jogo baixo" e a "guerra suja" no processo eleitoral são os fatores que mais contribuem para o crescimento deste grupo, que aliena seu poder de decisão para outrem. Parte dos Indignados estão entre os que votam branco e nulo.

. Na Câmara dos Deputados recém eleita, a maior força política é a direita que, se somada como PSDB, DEM, PR, PP, e PSC, constitui cerca de 37% da casa. A esquerda, se considerada como PT, PSB, PDT, PCdoB e PSOL, congrega cerca de 33%, enquanto o centro (PMDB, PV, PTB e PPS), possui 30%. Esta divisão é muito imprecisa, pois em diversas ocasiões em que o PSB, o PDT e até mesmo o PT poderiam ser considerados como centro, assim como o PR e o PP. O PPS pode ser classificados como na direita também.

. A distribuição das bancadas no congresso nos leva a concluir que o centro é a maior força política do país, apesar de "formalmente" ser a menor. Mostra também o quando a base da aliança petista está calcada em partidos de direita, que não teriam o menor problema de migrar para a base política tucana em caso de eleição da oposição.

. O PSB ampliou sua participação no congresso, em parte recebendo votos tradicionalmente petistas, mas deixou de se apresentar como uma alternativa ao país sem candidatura própria, deixando papel exclusivamente reservado à Marina. O PSB apostou nesta tática para eleger uma bancada maior e 3 governadores, e teve relativo sucesso. Caso tivesse lançado candidatura própria, como estratégia combinada, sem sofrer ameaças de retaliação do PT, dividiria os votos de Marina e reduziria ainda mais a expressão do voto conservador. É possível que o partido saísse maior das urnas.

. O Esquerdismo saiu muito pequeno destas eleições, mostrando que os 6% da Heloísa Helena eram votos dos indignados, uma vez que Plínio teve uma grande exposição na mídia e ficou abaixo de 1%. No entanto Plínio foi apresentado pela imprensa como um entretenimento eleitoral e não como uma alternativa como foi Marina, e em certa dose Heloísa Helena, que recebeu parte do capital político midiático por representar a única alternativa aos indignados na ocasião.

Alguns corolários.

. O capital político do PT está em torno dos 25%, seu patamar histórico. Lula detém cerca de 10 a 15%, sendo uma parte dele depositado no PT e outra parte disponível para seu uso no mercado de votos. O capital político de Dilma é zero, mas tende a aumentar. Os 5% restante é dividido entre PMDB, PDT e PSB, sendo que os votos do PMDB ficaram mais difusos, ao sabor da orientação de caciques locais.

. O capital político conservador está entre 15 e 20%. Dentro desse capital político o de Serra é muito pequeno pois o PSDB tem cerca de 5% e o restante, que não se identifica com nenhum partido, seria oferecido à qualquer candidatura do campo conservador mesmo que não fosse a de Serra.
A mídia entra como sócia da candidatura com o restante dos votos para completar 24%. Estabelecemos de maneira arbitrária o capital da mídia emprestada ao Serra em 6%.

. O capital político de Marina é disperso, mas representa o segundo maior capital individual do processo, ficando em torno dos 5%. Cerca de 3% do seu total de votos pode ser atribuído aos Sociais Democratas / Ambientalistas. A soma de 8% corresponde ao patamar mantido pela candidatura antes da reta final. Na reta final talvez 4% de indignados votaram em Marina sob influência dos escândalos midiáticos e 3% de votos religiosos entre Conservadores e Desinteressados.

Conclusões:

. Será muito difícil a Dilma perder as eleições, uma vez que teria que perder votos no segundo turno, e a capacidade de transferência de votos da mídia parece já ter se esgotado no 1º turno. Apesar da clara preferência midiática pela candidatura de Serra, a candidatura não foi capaz de absorver a massa de votos movimentada pela mídia, indo os indignados ao encontro de Marina. Caso a mídia insista no uso de seu capital político na confecção de escândalos a hipótese mais provável é o aumento dos desinteressados, e não o aumento dos votos conservadores, uma vez que a alternativa aos indignados saiu do páreo.

. O PT tradicionalmente congrega mais os votos dos Sociais Democratas e Indignados do que o PSDB, sendo plausível supor que receberá ao menos 40% deste eleitorado que votou em Marina, o que já garantiria a eleição de Dilma. É provável que a mídia consiga conferir utilidade à parcela de Indignados sob sua influência e transferir votos para o Serra, mas não em número suficiente para mudar o resultado das eleições.

. O voto religioso tente a ser dividido entre os dois candidatos, uma vez que José Serra, quando Ministro da Saúde, regulamentou a prática de aborto na rede do SUS, e não possui uma relação com o setor profunda o suficiente para receber a totalidade dos votos religiosos depositados nas urnas. É necessário lembrar que nem todo voto religioso está no público Conservador, uma parte se identifica com a Social Democrata, notadamente os relacionados a Teologia da Libertação.

. Para vencer as eleições Serra teria que captar praticamente a totalidade do voto social democrata ambientalista, dos indignados e dos religiosos, o que é praticamente impossível.

. Marina Silva provavelmente irá tentar reservar seu capital político para si, não declarando apoio a nenhuma candidatura no segundo turno, uma vez que sua mais valia política é extraída através do discurso da "nova política", principalmente dos Indignados, que esperam de Marina uma posição acima do bem e do mal. Caso ela adote outro discurso irá decepcionar parte do seu eleitorado, e talvez se descapitalizar.

. Por coerência histórica Marina se posicionaria ao lado do PT, mas parece estar se movendo mais pelo pragmatismo eleitoral do que se poderia supor, com vistas em 2014. Parece não estar disposta fazer um discurso que seu eleitorado não queira ouvir, pois isso rebelaria sua base e dificultaria a extração de sua mais-valia política, que depende de uma postura que favoreça a idolatria.

sábado, 2 de outubro de 2010

48 Horas de Democracia

Acompanhe e participe da cobertura colaborativa das Eleições 2010.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Porque não voto em Marina Silva

Admiro a história de vida de Marina e sua luta, e escrevo estas palavras com certa tristeza, pois sinto a necessidade de denunciar o oportunismo do movimento eleitoral que ela está liderando. Ressalvo que os argumentos são impessoais em relação à Marina e meramente políticos, e que possuem o único objetivo de provocar a reflexão.

1. O voto em partido é mais fiel aos princípios democráticos do que o voto em uma pessoa, que reforça o personalismo na prática política. O PV é um partido débil e adesista, que está no poder em 80% dos casos, sem se importar se a gestão é do DEM, PT, PMDB, PSDB, ou qualquer outro. Isso demonstra clara frouxidão ideológica, apego ao poder e oportunismo.

2. O PV tem lideranças contestáveis como o oligarca Zequinha Sarney e o Fernando Gabeira, que desmoralizam as acusações sobre alianças alheias, como que se esquecesse que no RJ apóia o DEM e em SP é aliado do governo tucano. Marina diz que não fez "alianças espúrias" para não se contaminar, mas quem acompanha a política sabe que não fez alianças porque não conseguiu, uma vez que todos os partidos preferiram participar da aliança petista ou da tucana.

3. Marina não diz a verdade quando afirma que PT e PSDB são iguais. É somente discurso em busca de votos, pois ela passou a vida inteira no PT atacando a prática política do PSDB e suas posições ideológicas. Igualar os dois partidos não é verdadeiro, não corresponde à realidade factual e corresponde a uma prática oportunista típica da "velha política" que afirma não fazer.

4. Marina aproveita-se de uma onda de denuncismo despejada sobre sua concorrente Dilma, aproveitando tal situação para ganhar votos, em uma clara manifestação de preocupação com o aumento do seu capital político e da participação no mercado de votos, não se importando que estes votos sejam oriundos de práticas da "velha política" que condena.

5. Existem sérios indícios de práticas políticas pouco republicanas que pairam sobre a família de Marina, seus apoiadores, empresas financiadoras e sobre sua própria atuação. Não irei elencá-las aqui pois creio não ser um argumento devido. No entanto é necessário denunciar a postura de vestal de Marina como se somente os adversários fossem cercados de pessoas pouco éticas. Caso Marina estivesse na frente do candidato da mídia, certamente uma chuva de denúncias cairia sobre sua cabeça.

6. O voto em Marina na prática é um voto em José Serra, pois contabilizará como voto válido, podendo contribuir para levar o tucano ao 2º turno. Infelizmente nosso sistema político é organizado desta maneira, e por mais que se argumente o contrário, na prática é isso que acontece. Logo o voto em Marina pode ter a roupagem de um voto ideológico mas na fria e crua Realpolitik tem exatamente o mesmo efeito prático de um voto em José Serra.

Dito isso, afirmo que concordo com as idéias e propostas do PV e de Marina, mas não concordo com a prática política adotada pelo partido e pela candidata, que concentraram suas atenções em ganhar votos recorrendo a expedientes condenáveis e oportunistas.

Acompanho a política com atenção, inclusive no período não eleitoral, e afirmo com veemência que é um engano votar em Marina pensando que esta é a "nova política", uma política mais ética, livre de práticas condenáveis. Caso fosse eleito o PV, para governar, teria que se curvar aos interesses de bancos, da mídia, de ruralistas e de todos aqueles que condenam, caso contrário não teria governabilidade.

Para não sofrermos de amnésia é mister lembrar que o Brasil já elegeu um candidato "diferente", que fazia uma "nova política", uma alternativa aos políticos tradicionais. Elegeu um "Caçador de Marajás" que acabou defenestrado por Impeachment.

É triste nossa realidade, mas é a que temos. Meu voto em Dilma 13 não é um voto sem indignação, pois considero que o PT sofre dos problemas inerentes à democracia brasileira, mas ainda segue sendo o melhor partido do Brasil (ou se preferir o menos pior), preferido por 27% dos brasileiros, sendo que o segundo colocado tem apenas 5% da preferência.

Voto em Dilma 13 porque o Brasil melhorou muito com o Governo Lula. Apesar de muitos acharem que seria um governo ruim, foi o melhor governo que o país teve nas últimas décadas, sem sombra de dúvidas. Até a oposição acaba tendo que reconhecer isso. Se estamos no caminho certo, é neste caminho que devemos continuar. Não quero ver o país na mão dos vendilhões da pátria, de uma elite subserviente aos interesses americanos e do grande capital internacional.

Se pretende votar em Marina Silva, peço que pense bem a respeito, pois é um voto que na prática irá indiretamente para José Serra.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Promoção Gato por Lebre: compre Marina e leve José Serra

A democracia moderna funciona como um mercado de votos, gostemos ou não. Com propaganda enganosa, venda casada, formação de cartel e tudo mais. No mercado de votos os meios de comunicação ganham uma força desproporcional à sua função social, principalmente quando se auto-intitulam  como um "meio" e agem em prol de um dos lados.

Imagine se as emissoras começassem a se posicionar em relação aos produtos anunciados. Se, por exemplo, a Globo afirmasse que considera o Nescau  melhor para a saúde do que o Toddy, e fizesse isso como uma opinião editorial e não como um anúncio pago. Seria um escândalo? Pior que isso seria se o veículo ao invés de assumir que faz campanha aberta para um produto, o fizesse de maneira subliminar.

É isso que estamos presenciando nas eleições de 2010, como nas anteriores. A mídia se posiciona de maneira subliminar a favor de Serra, com louvável exceção do Estadão que declarou seu voto. Agora a grande mídia está tratando de inflar a candidatura Marina, usando "escândalos" de maneira seletiva, mostrando os que interessa e escondendo os que não interessa, tática que entre os mágicos é conhecida como truque.

A Marina tem méritos, e muitos, e acredito que ela pode honrar sua história de vida e fazer um jogo político diferente. Mas por enquanto não é isso que estamos vendo. Sua candidatura está sendo usada pela mídia como "laranja" para tentar levar o Serra para o segundo turno. Obviamente não interessa à Marina denunciar este movimento político-midiático, mesmo sendo de seu conhecimento o jogo que está por trás.

A Candidatura Marina perde a chance de se constituir como uma referência diferenciada quando se rende à lógica da política de resultados. Três momentos de sua candidatura denunciam que Marina está fazendo política à moda antiga, apesar de ser vendida em nova embalagem:

1. Afirma que PT e PSDB são iguais, mesmo sabendo em seu íntimo que não são. Se Marina falasse a verdade para o seu eleitor diria que PT e PSDB são diferentes, e que ela considera o PT melhor que o PSDB, como demonstra sua própria carreira política. Alguém acredita que a ela só foi revelada a verdade quando se desfiliou do PT? Igualar os dois é apenas uma tática para ampliar sua fatia no mercado de votos. Assim se iguala a todos.

2. Aproveita-se da onda midiática de denuncismo para beliscar votos de Dilma. Esta atitude revela oportunismo da sua candidatura, mesmo sabendo que poderia ser vítima deste mesmo instrumento de manipulação da realidade. Caso estivesse em 1º nas pesquisas, as denúncias sobre sua gestão no MMA surgiriam com a mesma força que o estrondoso silêncio sobre o caso PSDB-Alstom.

3. Se faz de ingênua sobre o movimento da mídia para inflar sua candidatura. Quer sair com o maior capital político possível destas eleições, mesmo que o preço do aumento de seu capital seja o risco do país regressar ao tempo da privataria. Se Marina se comportasse com altivez denunciaria que sua candidatura está sendo utilizada por setores conservadores para beneficiar seu verdadeiro candidato: Serra. Será que Brizola aceitaria ser utilizado como joguete?

Ao afirmar que a Candidatura Marina faz a velha política e se vende como nova, não queremos atingir a pessoa da Marina Silva, mas sim demonstrar como a lógica política de sua candidatura é a mesma de sempre: vale tudo por votos. É necessário diferenciar a Candidatura Marina Silva da pessoa Marina Silva.

A Marina pessoa poderia se erguer acima de sua própria candidatura, ir além do seu interesse político imediato no mercado de votos, e mostrar que de fato é diferente: não igualar retoricamente PT e PSDB; não surfar na onda de denuncismo da qual poderia ser vítima; e não deixar sua candidatura ser usada pela mídia para vender gato por lebre.

Mídia x José Dirceu: Em defesa do direito de manipular

Veja com seus próprios olhos e escute com os seus próprios ouvidos o que José Dirceu disse sobre a liberdade de imprensa. Depois leia as manchetes da grande mídia:



E aí, se sentiu manipulado?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Presidente Lula Ensina: Luta de Classes não é lenda lenda...

Caros leitores, de esquerda, de direita, indignados úteis e desclassificados, os mais nobres entre eles. Eis um vídeo da série Lula Ensina: O que é Luta de Classes.

Esteve na moda dizer que o Marxismo é antiquado e que a luta de classes não existe. A elite é bastante preocupada em andar na moda...

No embalo intelectual a elite, que considera jornalista = filósofo,  esquece que a luta de classes existe, e o faminto bate a sua porta. Mesmo que seja um Faminto 2.0: com fome de informação limpa.

É uma categoria explicativa da realidade que é representativa e concreta, de fato. Tanto que se concretiza em votos. Para quem duvida que ela exista, está aqui a prova:

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Grande Mídia: o Orgulho do Brasil !!!

Serra: o que ele queria dizer quando disse...

Uma reveladora edição do Seja Dita Verdade sobre o programa eleitoral de José Serra.

Roriz confessa crime diante das câmeras

Luz, câmera, ação...

Roriz confirma ser grileiro, invasor de terras e "faveleiro". Esse é o nível da política do país. Esse é o nível do aliado de Serra no DF

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Serra: "Faz de conta que não vim"... Não tem preço !!!


O raivoso defensor da imprensa livre protagonizou estes impagáveis momentos:



Transformar a filha em acionista do MercadoLivre: R$ 300 milhões. Comprar a Veja: 2,37 milhões. "Faz de conta que não vim..." Não tem preço !!!

Diz defender a liberdade de imprensa, mas intimida e manda demitir jornalistas que lhe colocam em saias justas, como é sabido até pelos asseclas. E mostra seu lado agressivo e autoritário, comportamento indesejável para o líder máximo da nação.

Um fato ainda não inteiramente assimilado foi demonstrado pela pesquisa qualitativa do debate RedeTV/Folha. O eleitor não gosta de agressões e discurso que não esteja relacionado à propostas e programa de governo.

José Serra não registrou programa de governo junto ao TSE, apenas dois discursos de pré-campanha, que em linguagem técnica é denominado de Trololó. Não tem o que propor a não ser melhorar o que está sendo feito, o que confere clara vantagem à Dilma e ao PT. Continuidade, claro.

Tudo o que propõe de novo agrada aos velhos amantes das fardas no poder. Que já não são tantos assim, vamos combinar. O Brasil merece uma direita melhor, mais programática, mais ética, mais honesta com seus próprios interesses. Nossa direita pensa em conquistar o voto estimulando o preconceito: jurássico, truculento, totalitário.

Os tucanos nossa reta final de campanha poderiam promover um debate em alto nível: registrem o programa da oposição no TSE, e debatam em cima de programa para o país. Defendemos que esta aliança de centro-esquerda, a despeito de suas contradições condenáveis, continua sendo o projeto político mais viável para o Brasil moderno.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

José W. Serra: "PT possui armas de destruição em massa"

Como nos EUA o Serra quer ter o direito de fazer, ter e usar armas de destruição em massa e, apesar disso, acusa sem provas os desafetos de tê-las e se sente no direto de atacá-los "preventivamente".

Ué, já vi esse filme antes... E não é por acaso que se assemelha com a invasão do Iraque, é simplesmente porque a extrema direita americana e a brasileira são bem parecidas mesmo: mentem e manipulam a opinião pública.

Apresentam ilações e acusações sem prova e a mídia aliada dissemina como se fosse uma verdade escandalosa de maneira insistente e exaustiva.

O ataque defensivo de Serra tem dois objetivos: desviar a campanha do debate político e de programa de governo, talvez porque não tenha um; e armar uma cortina de fumaça para a verdade sobre o enriquecimento ilícito de pessoas da sua família ligadas a ele.

Você topa ser manipulado desta maneira?

Zé Serra, o estelionatário Político

Nesta campanha o "Zé" está abusando do estelionato político: obtendo vantagens em prejuízo alheio induzindo pessoas ao erro através de ardil.

Mudou de nome de José Serra para "Zé" Serra, para parecer um popular, se associa à imagem de Lula prometendo continuidade, mente dizendo que criou o FAT, Seguro Desemprego e o Bolsa Família.

No entanto as pessoas hoje tem mais acesso às informações e abundam pela internet desmentidos sobre a paternidade do FAT, Seguro Desemprego, Bolsa Família, todo mundo sabe que ele é oposição e que sempre se chamou de José Serra, e não de "Zé" Serra.

Quebra de Sigilo. Sigilo o quê? A opinião do povo e a opinião da mídia...

Preciso confessar: violei o sigilo da conversa duas senhoras na fila do banco. Não consegui resistir e prestei atenção na conversa delas sobre política. Vou reproduzir um trecho o diálogo, com alguma imprecisão:
• O que você acha dessa história de quebra de sigilo?
• Você já declarou Imposto de Renda alguma vez na vida?
• Não
• Então.. nem eu. Todo mundo sabe que eu sou pobre, não preciso esconder isso de ninguém, não preciso de sigilo nenhum. Esse tal de sigilo sempre esconde bandido, ladrão, e depois eles vem falar que é pra proteger a gente. Pobre não precisa disso não, eu não caio nessa.
• Em quem você vai votar?
• Vou votar na Dilma, é claro. Minha vida melhorou, todo mundo da minha família tá empregado, as crianças estão na escola, não falta comida boa e nós conseguimos comprar um monte de coisas lá pra casa.
• É, eu também tô achando o voto mais certo

É necessário dizer que o direito ao sigilo é um direito à privacidade, que todos devem ter esse direito preservado, seja de rico ou seja de pobre, não deve ser violado. Reproduzo este diálogo captado através das ondas sonoras em local público não para endossar alguma opinião, mas sim por considerar que é representativo da opinião popular.

E é a respeito disso, da opinião popular, que o PSDB e a grande mídia estão demonstrando nada entenderem. E também não estão entendendo que sua influência e seu poder de causar "efeito dominó na opinião pública" não é mais o mesmo. Quanto eles tentam usar seus super-poderes e eles falham, ficam irritados e indignados, como os reis e suas cortes devem ter se sentido em relação ao surgimento da república.

Um tempo atrás o que se publicava nos jornais, e principalmente o que se mostrava na TV, formava a "opinião pública", que era reproduzida pelos "formadores de opinião" às pessoas menos instruídas e o efeito em cascata acontecia, conferindo uma desproporcional influência os meios de comunicação sobre o processo político. O país está mudando e as pessoas também, que hoje possuem mais opinião própria e, apesar de continuar assistindo TV, já não acreditam em tudo que ouvem. Consomem um pouco mais criticamente.

Quebra de sigilo: ligando os pontos


Ligando os pontos:

a) O "Zé" Serra (o Rei dos Dossiês, uma pessoa que muda de nome, que mente sobre programas que não criou, e tenta enganar as pessoas se associando a imagem do Lula) aparece chorando e acusando sem apresentar provas;

b) a mídia, sabidamente manipuladora, reproduz insistentemente um assunto secundário, que não diz respeito a propostas nem Programa de Governo;

c) o tal sigilo quebrado não está sendo usado pelo PT como argumento de campanha, e só o "Zé" tenta se beneficiar do episódio;

d) há fortes indícios de enriquecimento ilícito de tucanos, que será denunciado no livro "Os Porões da Privataria"; e

e) o "Zé" está despencando nas pesquisas, desesperado com a imagem do rabecão a carregar seu caixão político.

Que imagem aparece ao ligar os pontos? Manipulação! Fique atento, desconfie dos "fatos novos" às vésperas da eleição, pois os Demotucanos e a mídia tentarão fabricá-los como sempre fazem em todas as eleições desde a redemocratização.

"Zé" Serra, o Rei dos Dossiês

O brasileiro ainda paga muito caro por não gostar de política, pois acaba elegendo, com boa fé, pessoas de má fé. No entanto o cenário está se modificando aos poucos e cada vez mais as pessoas acompanham a política.

E quem acompanha a política acaba por concordar com o Ciro Gomes: "Serra numa campanha é garantia de baixaria". Todos sabem que quando o "Zé" Serra participa do processo sempre existem ataques abaixo da linha da cintura.

Como todos sabem disso muitos se previnem contra, se armando com os famosos dossiês. Todos sabem que o Serra produz, possui e usa dossiês o tempo inteiro, inclusive seus aliados são os que mais sabem disso:  "Zé" Serra é o Rei dos Dossiês.

Para quem duvida, veja o que até a Veja disse nas eleições de 2002:  http://veja.abril.com.br/200302/p_038.html

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