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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Eu odeio política. Eu te odeio. Eu me odeio.


Preparem-se para a pior campanha política da história do Brasil. O nível será baixíssimo, e esta é uma tática que favorece aos conservadores.

Não interessa a argumentação, confronto de dados ou o debate de ideias. Interessa a agressão, a despolitização e a baixaria generalizada.

Interessa à direita que as pessoas odeiem cada vez mais a política, que tenham nojo, que sintam repulsa, pois assim estarão odiando "toda essa bandalheira que está aí", e sentirão impulso de "mudar tudo". É óbvio que esse tipo de pensamento interessa à direita, que está fora do poder.

Quem odeia a política odeia a si mesmo, porque o preço do feijão depende da política. Já que a política é inevitável, que a decisão política seja partilhada por todos, isso é a tal Democracia.

Se você se pegar odiando, sentindo repulsa ou nojo da política, pare e pense, pois você está sendo manipulado. Sua indignação está sendo manipulada, e seu ódio está sendo usado para abastecer os cofres políticos da elite.

Então veja bem, analise e decida-se por aqueles que não tem ódio nas palavras. Os que usam o ódio querem que vc odeie junto com eles, e que o do ódio se construa uma nova ordem.

Isso pode acabar bem?

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Democracia! Para as empresas de comunicação...


A democracia moderna parece ser um regime de equilíbrio frágil. Os seus princípios são éticos e irrefutáveis, mas sua prática permite a concentração de poder nas mãos dos principais agentes econômicos, e favorece a perpetuação das elites no poder político.

O regime, concebido e estabelecido nos tempos em que o jornais, televisões, rádios e outros meios de comunicação de massas não existiam, ostenta belos conceitos fundadores: participação universal, bem comum, decisão majoritária, livre formação de consciências e, não poderia deixar de ser citado, o já tradicional balanço entre poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, de Montesquieu. Preceitos nobres que almejam o equilíbrio político na sociedade.

Porém, na prática, a democracia não apresenta resultados compatíveis com as expectativas geradas pelos seus princípios fundamentais. É  esperado um governo "para todos", no entanto, é mais comum o favorecimento às elites, locais, nacionais e transnacionais e, a promoção da concentração de poder.

A livre formação de consciência, um dos pilares da democracia, pressupõe igualdade nas condições de acesso aos bens culturais, sociais e materiais. As condições de igualdade são fundamentais para a aplicação da democracia. Por exemplo, o acesso universal à educação de qualidade pode ser visto como um dos fatores fundamentais para proporcionar uma condição ideal à prática da democracia pois, em tese, nivelaria o jogo político. Mas é uma condição muito difícil de ser alcançada.

Neste cenário, adverso às condições ideais, a posse dos meios de comunicação interfere na livre formação de consciência, influi no processo democrático e desequilibra as forças políticas. Os meios de comunicação canalizam e comercializam o acesso aos bens culturais e sociais, selecionando o conteúdo que lhes convém e sugerindo interpretações políticas das informações que comercializam.

A intencão de interferir na formação de consciência é cotidianamente percebida na propaganda das empresas de comunicação, que frequentemente relacionam sua audiência com o arquétipo do cidadão consciente. Apesar de disfarçarem sua atuação, se apresentando como inofensivos comerciantes de informações, os meios de comunicação são efetivos agentes políticos. E devem ser regulados como tal. As empresas de mídia utilizam como escudo a liberdade de expressão para protegerem seus poderes políticos, e sua pretensa capacidade de manipulação da realidade.

Ora, todas as forças políticas são reguladas. Os donos das grandes empresas de comunicação não são seres especiais, e não devem gozar de um estatuto de cidadania privilegiado. A falta de regulação da atuação política dos meios de comunicação cria condições especiais para operação de grupos de poder organizados em torno de interesses particulares, relacionados aos interesses dos proprietários das empresas.

Assim não há democracia. Há um simulacro de democracia, uma paródia verossímil. Uma gigante representação teatral.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A política do ódio


As pessoas se orgulham de cultivar o ódio aos partidos políticos no Brasil. Sem saber odeiam a própria democracia, que só é possível através dos partidos políticos. A política reflete a maturidade de uma nação, e nada mais imaturo do que praguejar e não fazer nada para mudar.

Muitos pensam que estão fazendo algo quando amaldiçoam os partidos, mas estão apenas participando ativamente da engrenagem da alienação: estimulando o imobilismo, aumentando a crença de que todos são iguais, nada tem jeito e nunca vai mudar. Trabalham efetivamente para as forças sociais conservadoras, mas se consideram heróis da resistência ética e moral.

Os que concordam com o regime político atual – democracia - e se sentem impelidos a participar, devem se posicionar ante aos partidos: ou concordam com algum, ou tentam transformar outro ou criam um novo. Pregar contra todos é cômodo e oportunista. Salvo aqueles que discordam da democracia em si.

Mas o pior sintoma deste quadro político é a presença do ódio como discurso. Ele parece ser elemento fundamental da política nacional: nas eleições o povo sempre é estimulado a odiar alguém ou algum grupo. Será que um bom futuro pode ser construído com base no discurso de ódio, em xingamentos públicos, em ofensas destrutivas?

Esta é a prática política atual, é o retrato do povo Brasileiro. Incômodo retrato, que só os outros aparecem. São sempre os outros que odeiam.

A má qualidade dos nossos políticos só reflete o desalinho do nosso tecido social. E a chave da transformação não pode ser o ódio. Aliás, o amor é muito mais gostoso...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Transformação política no Brasil

O resultado das urnas confirmou o amadurecimento político do país. Em número absoluto de votos PT, PSB e PDT cresceram, o PSD surgiu em órbitas governistas, PMDB, PSDB e PP cairam. O DEM despencou.

Veja o quadro de votos no primeiro turno: PT - 17.188.748; PMDB - 16.665.662; PSDB - 13.842.265; PSB - 8.600.892; PDT - 6.248.481; PSD - 5.813.451; PP - 5.379.256; e DEM - 4.529.936

O PT é o maior partido do Brasil em número de votos. É um grande partido, com muitas disputas internas, habitado por alguns aproveitadores, mas que penetrou o coração das massas com sua política de promoção da justiça social. O partido precisará ter sabedoria para não se desviar para o populismo nem cair no clientelismo tradicional da política nacional.

O bombardeio midiático não surtiu os efeitos desejados pelos seus barões, e até surtiu efeito inverso. Ao saturar a audiência com o mantra do mensalão a mídia colaborou para banalizar o tema. Ao mesmo tempo na internet divulga-se que os outros partidos são os campeões de corrupção segundo dados oficiais, e fica mais evidente o interessado silêncio da mídia sobre o que não lhe convém. A grande mídia no Brasil está desacreditada.

O país carece do surgimento de grandes grupos alternativos de comunicação, que disputem a audiência em todos os meios: TV, Rádio, Internet e Impressa, para democratizar o acesso a informação garantindo a multiplicidade de opinião. E o amadurecimento político depende de uma prática mais qualificada dos meios de comunicação na política. Enquanto estes forem meros agentes de interesses particulares, o processo de instalação da democracia não estará completo.

Mas sobretudo é necessário mudar o financiamento de campanhas tornando-o mais público e menos privado. O financiamento privado implica em compromisso do político eleito com interesses empresariais, nem sempre republicanos. O impacto nos cofres públicos desta lógica política perversa é diversas vezes maior do que o financiamento público, mas há um incômodo silêncio sobre o tema.

Avançamos nestas eleições, e podemos avançar mais ainda fora do período eleitoral, lutando pela reforma política e pressionando os parlamentares para que estes privilegiem os interesses do povo em detrimento dos interesses das oligarquias políticas.

A democracia no Brasil amadureceu e se fortaleceu, mas passos decisivos ainda precisam ser dados. E é preciso coragem para caminhar.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Analfabeto Político - Bertolt Brecht

O Analfabeto Político
Bertolt BrechtO pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. 

O Ranking da corrupção no Brasil

Dados do Tribunal Superior Eleitoral–TSE, sobre políticos cassados por corrupção desde o ano de 2000, classificam os partidos políticos na seguinte ordem:

ORDEM – PARTIDO – Nº DE CASSADOS

1º) DEM (69);
2º) PMDB (66);
3º) PSDB (58);
4º) PP (26)
5º) PTB (24);
6º) PDT (23);
7º) PR (17);
8º) PPS (14);
9º) PT (10);
10º) PV, PHS, PRONA, PRP (1).

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