sábado, 19 de janeiro de 2013
A Myriam Rios como legisladora é uma atriz mediana. Propôs, e aprovou, uma lei de péssima qualidade técnica, vaga e, provavelmente, inócua. Melhor assim, pois poderia ser bastante nociva caso fosse menos vaga.
A lei cria um programa para promover a "reflexão sobre a necessidade da revisão sobre os valores morais, sociais, éticos e espirituais". Ora, não se transforma os valores sociais por força de lei. É um processo complexo que atravessa gerações e que só é possível através da alteração das relações sociais. Esta lei, por exemplo, não tem nenhum poder para modificar a monetarização da vida, grande responsável pela banalização da morte.
Não tem poder para modificar o individualismo, a intolerância, a exploração, as desigualdades sociais, o preconceito, o machismo, e nem qualquer um dos pilares do convívio ético entre as pessoas. Não gerará mais solidariedade, mais cooperação e nem ao menos mais gentileza. Pensar que isso pode ser feito através de leis é um tremendo equívoco. Há de se mudar toda a sociedade.
É uma lei é extremamente vaga, que não especifica quais são os bons valores e quais são os ruins. Mas ainda bem que a lei é mal elaborada, pois seria muito mais temerária uma lei que especificasse o comportamento "adequado" para as pessoas. Valores morais são sempre vagos e transitórios, mudam de acordo com os costumes. O que era escândalo ontem, hoje pode ser considerado normal e vice-versa.
Moral é diferente de ética. A moral é hipócrita e geralmente esconde práticas pouco éticas. Os moralistas não estão preocupados com valores como igualdade, diversidade, liberdade e solidariedade. Estão preocupados com o pudor, comportamento sexual e com as práticas religiosas. Moralistas são perigosos para a sociedade.
Um moralista facilmente pode se associar com a bandidagem e manter a sua pose de defensor dos bons costumes. Demóstenes Torres não nos deixa mentir. E cabe a pergunta: quem será convidado para ministrar palestras sobre os valores da família para as nossas crianças? Gays preocupados com valores éticos de igualdade, liberdade e diversidade, ou moralistas hipócritas e conservadores?
Mas devo admitir, esta lei pode gerar ainda um debate bastante interessante em sua regulamentação: a definição dos Valores Espirituais será feita em uma Mesa Branca ou em um Terreiro de Candomblé?
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Democracia! Para as empresas de comunicação...
A democracia moderna parece ser um regime de equilíbrio frágil. Os seus princípios são éticos e irrefutáveis, mas sua prática permite a concentração de poder nas mãos dos principais agentes econômicos, e favorece a perpetuação das elites no poder político.
O regime, concebido e estabelecido nos tempos em que o jornais, televisões, rádios e outros meios de comunicação de massas não existiam, ostenta belos conceitos fundadores: participação universal, bem comum, decisão majoritária, livre formação de consciências e, não poderia deixar de ser citado, o já tradicional balanço entre poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, de Montesquieu. Preceitos nobres que almejam o equilíbrio político na sociedade.
Porém, na prática, a democracia não apresenta resultados compatíveis com as expectativas geradas pelos seus princípios fundamentais. É esperado um governo "para todos", no entanto, é mais comum o favorecimento às elites, locais, nacionais e transnacionais e, a promoção da concentração de poder.
A livre formação de consciência, um dos pilares da democracia, pressupõe igualdade nas condições de acesso aos bens culturais, sociais e materiais. As condições de igualdade são fundamentais para a aplicação da democracia. Por exemplo, o acesso universal à educação de qualidade pode ser visto como um dos fatores fundamentais para proporcionar uma condição ideal à prática da democracia pois, em tese, nivelaria o jogo político. Mas é uma condição muito difícil de ser alcançada.
Neste cenário, adverso às condições ideais, a posse dos meios de comunicação interfere na livre formação de consciência, influi no processo democrático e desequilibra as forças políticas. Os meios de comunicação canalizam e comercializam o acesso aos bens culturais e sociais, selecionando o conteúdo que lhes convém e sugerindo interpretações políticas das informações que comercializam.
A intencão de interferir na formação de consciência é cotidianamente percebida na propaganda das empresas de comunicação, que frequentemente relacionam sua audiência com o arquétipo do cidadão consciente. Apesar de disfarçarem sua atuação, se apresentando como inofensivos comerciantes de informações, os meios de comunicação são efetivos agentes políticos. E devem ser regulados como tal. As empresas de mídia utilizam como escudo a liberdade de expressão para protegerem seus poderes políticos, e sua pretensa capacidade de manipulação da realidade.
Ora, todas as forças políticas são reguladas. Os donos das grandes empresas de comunicação não são seres especiais, e não devem gozar de um estatuto de cidadania privilegiado. A falta de regulação da atuação política dos meios de comunicação cria condições especiais para operação de grupos de poder organizados em torno de interesses particulares, relacionados aos interesses dos proprietários das empresas.
Assim não há democracia. Há um simulacro de democracia, uma paródia verossímil. Uma gigante representação teatral.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Gol contra do STF
Em segundo lugar deixou patente que não é um tribunal independente, que é suscetível à pressão da mídia e que seus ministros são propensos a arroubos de heroísmo, incompatíveis com a seriedade da Suprema Corte.
E por último a Suprema Corte se aventurou em um julgamento atípico, conjectural e ideológico, nos quais ministros arriscaram teses jurídicas e apresentaram votos que se assemelhavam à peças de acusação.
A isso somam-se decisões recentes do STF a favor de poderosos, criminosos conhecidos e interesses econômicos. E para coroar, a cereja do bolo: o abuso da teoria do Domínio do Fato, cujo mal uso é condenado pelo seu próprio criador. Genoíno e Dirceu foram cobaias de um tribunal político improvisado.
O STF poderia ter julgado fora do período eleitoral, de maneira discreta, sem fazer populismo judiciário, atento ao princípio da dúvida e sem inverter o ônus da prova.
Condenando ou não, deveria ter cumprido um papel digno de uma Suprema Corte: agir acima que qualquer suspeita. Não procedeu assim. A parcela mais crítica da sociedade deve colocar suas barbas de molho e o STF no lugar que lhe cabe: o de suspeito de ter cometido um crime político.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
A política do ódio
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Transformação política no Brasil
Veja o quadro de votos no primeiro turno: PT - 17.188.748; PMDB - 16.665.662; PSDB - 13.842.265; PSB - 8.600.892; PDT - 6.248.481; PSD - 5.813.451; PP - 5.379.256; e DEM - 4.529.936
O PT é o maior partido do Brasil em número de votos. É um grande partido, com muitas disputas internas, habitado por alguns aproveitadores, mas que penetrou o coração das massas com sua política de promoção da justiça social. O partido precisará ter sabedoria para não se desviar para o populismo nem cair no clientelismo tradicional da política nacional.
O bombardeio midiático não surtiu os efeitos desejados pelos seus barões, e até surtiu efeito inverso. Ao saturar a audiência com o mantra do mensalão a mídia colaborou para banalizar o tema. Ao mesmo tempo na internet divulga-se que os outros partidos são os campeões de corrupção segundo dados oficiais, e fica mais evidente o interessado silêncio da mídia sobre o que não lhe convém. A grande mídia no Brasil está desacreditada.
O país carece do surgimento de grandes grupos alternativos de comunicação, que disputem a audiência em todos os meios: TV, Rádio, Internet e Impressa, para democratizar o acesso a informação garantindo a multiplicidade de opinião. E o amadurecimento político depende de uma prática mais qualificada dos meios de comunicação na política. Enquanto estes forem meros agentes de interesses particulares, o processo de instalação da democracia não estará completo.
Mas sobretudo é necessário mudar o financiamento de campanhas tornando-o mais público e menos privado. O financiamento privado implica em compromisso do político eleito com interesses empresariais, nem sempre republicanos. O impacto nos cofres públicos desta lógica política perversa é diversas vezes maior do que o financiamento público, mas há um incômodo silêncio sobre o tema.
Avançamos nestas eleições, e podemos avançar mais ainda fora do período eleitoral, lutando pela reforma política e pressionando os parlamentares para que estes privilegiem os interesses do povo em detrimento dos interesses das oligarquias políticas.
A democracia no Brasil amadureceu e se fortaleceu, mas passos decisivos ainda precisam ser dados. E é preciso coragem para caminhar.
terça-feira, 17 de abril de 2012
CPI do Trocadilho
O público adora espetáculo, adora "o vazamento de uma bisbilhotada". Antes o circo, depois o pão. É a lógica da geral.
E qual a lógica dos atores políticos? Sair do "reality show" bem na foto, quiçá vencedor. É um jogo, e no caminho aliados são eliminados, assim como adversários.
Governo nenhum gosta de CPI porque atrasa o cronograma do executivo. É da natureza do Governo ser contra CPIs, mas quando é inevitável que aconteça, está no jogo também. Pode adotar a postura de que não está jogando como estratégia no jogo, é válida.
Ao púbico cabe saber que é um show, e duvidar das edições. Bisbilhotar vai ser divertido para o entretenimento das massas. Se o Brasil sair melhor, melhor. Se não, valeu o espetáculo.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Existe um hiato na democracia
1. Existe um hiato na democracia de massas entre a pessoa do político e a figura pública do político. Assim como existe um hiato entre homofobia e o interesse homo enrustido. Ou entre o machismo e o (dominio do) poder concreto da fêmea.
Pesquisas monstram que os heteros homofóbicos sentem mais atraçāo por figuras do mesmo sexo do que heteros liberais. Metaforicamente @ vestal mais rápido se locupleta. A figura vestal é a que mais fácil se entrega aos dotes alheios. O poder é potência e é alienável.
2. A mídia é um ator institucional na democracia do espetáculo, mas sua atuaçāo nāo é regulamentada dentro do regime político. Os conglomerados de mídias agem como se fossem partidos políticos, defendem seus interesses através do controle de meios de comunicaçāo social.
Recebem financiamento público de suas campanhas através de verbas de propagandas estatais e governamentais. Muitas verbas sāo quase acaches. Recebem financiamento privado de corporações que nāo costumam investir nos veículos que falam mal delas. Recebem financiamentos individuais dos crédulos e dos leitores.
3. O poder financeiro, embora muito mais regulamentado, é eticamente livre para cometer qualquer lucro. Os lucros ilegais sāo sabidamente maiores do que os legais, e sāo "perdoados" sempre que nāo sāo descobertos. Ninguém deixa de ser amigo de um contraventor se ele nunca for pego, esta é a regra nāo enunciada.
A licitaçāo é a casa das orgias entre o público e o privado. Os convidados sāo poucos e pagam caro para entrar. Financiamento privado de campanha pública é ingresso de cadeira cativa. Quem registra a festa ganha bem para nāo publicar.
4. Os Movimentos Sociais têm por natureza uma condiçāo de carência de poder. Esta característica fundamental deve ser considerada na sua funçāo social como um elemento de fraqueza. Sua voz deveria ser amplificada e os benefícios obtidos distribuídos igualitariamente. Mas é comum o contrário.
Os movimentos sociais sāo reféns da própria mediocridade humana. Mediocridade interna quando os interesses particulares sāo travestidos de coletivos, e mediocridade alheia quando sāo nobres em valores mas nāo penetram na hipocrisia geral.
O único movimento social abundante de poder é o religioso.
5. Está em curso no Brasil um choque de interesses entre os poderes formais instituídos, os informais e os ilegais. Uns compram outros vendem a nossa paz, e os ilegais intermediam o negócio. Os poderes informais - financeiro, comunicacional e movimentos sociais - preferem continuar informais.
Somente os movimentos sociais tem pouco (ou quase nenhum) acesso aos poderes formais da democracia. O poder efetivo dos movimentos sociais sāo reduzidos justamente pela ausência de poderio econômico e comunicacional. Já os poderes informais fortes podem desfrutar, apoiar ou até mesmo produzir movimentos sociais ao seu dispor, especialmente os religiosos.
6. A opiniāo pública é uma fragilidade democrática, pois é produzida por imagens frequentemente falsas, geralmente a serviço da representaçāo particular. O povo é um ente coletivo que nāo representa ninguém, simplesmente porque nāo se representa no palco político. Ninguém nunca viu o povo atuar, mas sim pessoas atuarem em nome do povo.
Dos poderes todos atuam em nome do povo, menos o financeiro que atua para o povo em nome dos seus interesses próprios. Todos atuam para o povo, menos o judiciário que atua para as leis (ou deveria). Todos tem interesse próprio, e como o povo é rigorosamente ninguém, "farinha pouca meu angú primeiro".
O poder difuso é o único nosso, que nāo se organiza direito e acaba organizado por todos.
7. Sair para onde? Talvez a pergunta a ser feita é sair quando...
O poder comunicacional está em disputa, sempre. Esteve muito concentrado nos últimos tempos, mas os tempos mudam. O poder financeiro também esteve muito concentrado desde que foi criado, mas as criações mudam.
Os poderes religiosos vocês que negociem diretamente com os Deuses, ou com os seus legítimos representantes, claro.
Já os poderes formais poderiam ser sujeitos todos a mesma regra de intolerância com a corrupçāo da alma. Deveriam ser todos poetas da vida, deixando de lado as palavras da astúcia. Mas somos todos humanos, demasiadamente humanos...
Enfim, talvez tudo se resuma ao sexo. E essa revoluçāo fica tāo mais longe quanto mais próxima está.
terça-feira, 10 de abril de 2012
McMáfia - Misha Glenny. Livro essencial
Traduzindo livremente, a lógica é a seguinte: quanto maior o risco, maior o lucro. Lucros ilegais são 300% maiores que os legais. A opção pelo crime não é só uma opção pelo "mal" implícito, mas é também uma busca pela majoração da margem de lucro do capital.
A entrevista é bem fraquinha, o livro é muito melhor.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
O mundo é dos espertos. E você, é esperto(a)?
Não, definitivamente você não é!
Isso lhe soa como um elogio ou como uma ofensa? Se lhe soa como uma ofensa se preocupe, pois você pode estar repleto do que há de mais deplorável no ser humano: a esperteza.
Adorno e Horkheimer já nos sugeriam em "A Dialética do Esclarecimento" que a virtude principal de Ulisses (Odisseu) é na verdade um vício: a astúcia. A esperteza que, no entendimento popular, é a arte de "passar os outros para trás", de enganar, ludibriar, foi elogiada por Homero em versos e traduzidos em prosa. E não é qualquer prosa, mas logo as principais, as epopéias fundamentais e fundadoras da nossa civilização: A Ilíada e a Odisséia.
Hoje este comportamento é tão arraigado em nossa sociedade que é frequentemente utilizado como elogio às nossas crianças: “como ela é esperta...”. E não nos enganemos que estamos falando de conceitos distintos. Ou não é a este adjetivo que recorremos quando um pequeno nos prega uma peça, quando nos faz uma chantagem emocional elaborada?
Ensinamos em casa, na escola e na vida o que há de mais sórdido no comportamento humano como se fosse uma virtude, elogiando e estimulando cada passo nesta direção. E continuamos admirando nos adultos tal vício como se virtude fosse: bobo ele não é, fulano é muito esperto. Opomos o esperto ao idiota, ao tolo, ao bobo, xingamentos costumeiros.
E o que é o lucro - essência do capitalismo - senão o ganho "em cima dos outros”? A empreitada capitalista, a Empresa, visa antes de tudo obter vantagens financeiras sobre as necessidade alheias. A vantagem negocial é a forma mais madura da esperteza, como bem sabemos: quem tem lucro extraordinário é logo chamado de esperto, de astuto.
Célebres ditados populares confirmam o elogio à esperteza: “o mundo é dos espertos”, “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”, “amigos amigos, negócios à parte”, “a ocasião faz o ladrão”, “em rios com piranhas jacaré nada de costas”, e por aí vai.
E ainda nos indignamos com a corrupção e a contravenção de modo geral como se não estimulássemos isso cotidianamente em outrem e em nós mesmos. Negamos isso de maneira imperativa como negamos costumeiramente nossa própria vaidade, nosso próprio ego.
Condenamos o estelionatário, o sonegador, o corrupto, a trapaceiro, o vigarista, o malfeitor, enquanto encorajamos a esperteza em nossas crianças desde a mais tenra infância. E culpamos a (falta de) educação pública como raiz de todos os males de nossa sociedade, sem questionarmos de fato os nossos valores mais arraigados.
Desejamos sempre que nossos filhos passem as outras crianças para trás, e que nunca sejam feitos de tolos. E pior, invejamos os vencedores “que pisam nos outros para subirem na vida”, os bem sucedidos, e não costumamos questionar de onde advém tal sucesso, e que para cada “bem sucedido” se fazem inúmeros tolos fracassados. Claro que existem as exceções, que apenas confirmam a regra.
E assim reputamos o fracasso social como obra de idiotas, incapazes, e seguimos desejando aos nossos queridos que espertos sejam e que os inimigos sejam feitos de tolos sempre que possível. O princípio do desempenho se instala na sociedade moderna como um imperativo amoral.
Calcada na astúcia - até sobre o meio ambiente - qual humanidade continuamos construindo? O que será que as outras espécies acham disso? Ou será que não são espertas o suficiente para achar coisa alguma?
E você, é esperto(a)?
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
O Analfabeto Político - Bertolt Brecht
| O Analfabeto Político Bertolt BrechtO pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. |
O Ranking da corrupção no Brasil
ORDEM – PARTIDO – Nº DE CASSADOS
1º) DEM (69);
2º) PMDB (66);
3º) PSDB (58);
4º) PP (26)
5º) PTB (24);
6º) PDT (23);
7º) PR (17);
8º) PPS (14);
9º) PT (10);
10º) PV, PHS, PRONA, PRP (1).
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Lao Tse - Tao Te Ching - 5
Tratam os dez mil seres como cães de palha¹
O Homem Sagrado não é bondoso
Trata os homens como cães de palha
O espaço entre o céu e a terra assemelha-se a um fole
É um vazio que não se distorce
Seu movimento é a contínua criação
O excesso de conhecimento conduz ao esgotamento
E não é melhor do que manter-se no centro²
¹ DZOU GO: Cão de Palha representa no sacrifício o desapego do ser.
² CHUN: Centro, Meio ou Interior.
Fonte: Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude, Lao Tse. Tradução: Wu Jyh Cherng. Editora Mauad.
domingo, 31 de julho de 2011
Lao Tse - Tao Te Ching - 4
E seu uso jamais se esgota
É imensuravelmente profundo e amplo,
como a raiz dos dez mil seres
Cegando o corte
Desatando o nó
Harmonizando-se à luz
Igualando-se à poeira
Límpido como a existência eterna
Não sei de quem sou filho
Venho antes do Rei Celeste²
¹ Chun: Vazio ou Harmonia. Vazio é a Natureza do Caminho; Harmonia é a Manifestação do Caminho.
²Hsian Ti: Hsian significa Imagem ou Forma; Ti significa Rei. "Hsian Ti¬ é o nome atribuído ao Rei Celeste - Deus Onipotente, criador de todas as formas.
Fonte: Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude, Lao Tse. Tradução: Wu Jyh Cherng. Editora Mauad.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Lao Tse - Tao Te Ching - 3
Não enobrecendo a matéria de difícil aquisição, mentem-se o povo alheio à cobiça
Não admirando o que é desejável, mantém-se o coração alheio à desordem
O Homem Sagrado governa
Esvazia seu coração¹
Enche seu ventre²
Enfraquece suas vontades³
Robustece seus ossos
Mantém permanentemente o povo sem conhecimentos e desejos
Faz com que os de conhecimento não se encorajem e não ajam
Sendo assim, nada fica sem conhecimento
¹ Shin: Coração tem sentido de razão, emoção e intenção.
² Fu: Ventre tem sentido de vitalidade.
³ Dze: Vontades tem sentido de desejos.
Fonte: Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude, Lao Tse. Tradução: Wu Jyh Cherng. Editora Mauad.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Lao Tse - Tao Te Ching - 2
Então isso já se tonou um mal
E reconhecendo o bem como bem
Então já não seria um bem
A existência e a inexistência geram-se uma pela outra
O difícil e o fácil completam-se um ao outro
O longo e o curto estabelecem-se um pelo outro
O alto e o baixo inclinam-se um pelo outro
O som e o tom são juntos um no outro
O antes e o depois seguem-se um ao outro
Portanto
O Homem Sagrado¹ realiza a obra pela não-ação²
E pratica o ensinamento através da não-palavra³
Os dez mil seres fazem, mas não para se realizar
Iniciam a realização mas não a possuem
Concluem a obra sem se apegar
E justamente por realizarem sem apego
Não passam.
¹ Sen Zen: Homem Sagrado. Originado no conceito de sagração do homem, que tem sentido de união da Consciência Pura com a Vida Infinita.
² Wu Wei: Não-Ação. Tem sentido de ação sem intenção.
³ Wu Yen: Não Palavra. Tem sentido de palavra sem intenção.
Fonte: Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude, Lao Tse. Tradução: Wu Jyh Cherng. Editora Mauad.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Lao Tse - Tao Te Ching - 1
O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante
Sem-Nome é o princípio do céu e da terra
Com-Nome é a mãe de dez mil coisas
Assim,
A constante não-aspiração¹ é contemplar as Maravilhas²
A constante aspiração é contemplar o Orifício³
Ambos são distintos em seus nomes mas tem a mesma origem
O comum entre os dois se chama Mistério
O Mistério dos Mistérios é o Portal para todas as Maravilhas
¹ Não-aspiração: significa ausência de intenção. Aspiração: significa manutenção da vontade.
² Maravilha: significa manifestações do Caminho
³ CHIAO: Tem dois sentidos 1º) Luz, Claridade ou Cor Branca; 2º) Orifício, Cova ou Abertura.
Fonte: Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude, Lao Tse. Tradução: Wu Jyh Cherng. Editora Mauad.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Nos bastidores, o lobby pelo pré-sal
“A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?”. Este é o título de um extenso telegrama enviado pelo consulado americano no Rio de Janeiro a Washington em 2 de dezembro do ano passado.
Como ele, outros cinco telegramas a serem publicados hoje pelo WikiLeaks mostram como a missão americana no Brasil tem acompanhado desde os primeiros rumores até a elaboração das regras para a exploração do pré-sal – e como fazem lobby pelos interesses das petroleiras.
Os documento revelam a insatisfação das pretroleiras com a lei de exploração aprovada pelo Congresso – em especial, com o fato de que a Petrobras será a única operadora – e como elas atuaram fortemente no Senado para mudar a lei.
“Eles são os profissionais e nós somos os amadores”, teria afirmado Patrícia Padral, diretora da americana Chevron no Brasil, sobre a lei proposta pelo governo . Segundo ela, o tucano José Serra teria prometido mudar as regras se fosse eleito presidente.
Partilha
Pouco depois das primeiras propostas para a regulação do pré-sal, o consulado do Rio de Janeiro enviou um telegrama confidencial reunindo as impressões de executivos das petroleiras.
O telegrama de 27 de agosto de 2009 mostra que a exclusividade da Petrobras na exploração é vista como um “anátema” pela indústria.
É que, para o pré-sal, o governo brasileiro mudou o sistema de exploração. As exploradoras não terão, como em outros locais, a concessão dos campos de petróleo, sendo “donas” do petróleo por um deteminado tempo. No pré-sal elas terão que seguir um modelo de partilha, entregando pelo menos 30% à União. Além disso, a Petrobras será a operadora exclusiva.
Para a diretora de relações internacionais da Exxon Mobile, Carla Lacerda, a Petrobras terá todo controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e a contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores americanos.
A diretora de relações governamentais da Chevron, Patrícia Padral, vai mais longe, acusando o governo de fazer uso “político” do modelo.
Outra decisão bastante criticada é a criação da estatal PetroSal para administrar as novas reservas.
Fernando José Cunha, diretor-geral da Petrobras para África, Ásia, e Eurásia, chega a dizer ao representante econômico do consulado que a nova empresa iria acabar minando recursos da Petrobrás. O único fim, para ele, seria político: “O PMDB precisa da sua própria empresa”.
Mesmo com tanta reclamação, o telegrama deixa claro que as empresas americanas querem ficar no Brasil para explorar o pré-sal.
Para a Exxon Mobile, o mercado brasileiro é atraente em especial considerando o acesso cada vez mais limitado às reservas no mundo todo.
“As regras sempre podem mudar depois”, teria afirmado Patrícia Padral, da Chevron.
Combatendo a lei
Essa mesma a postura teria sido transmitida pelo pré-candidtao do PSDB a presidência José Serra, segundo outro telegrama enviado a Washington em 2 de dezembro de 2009.
O telegrama intitulado “A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?” detalha a estratégia de lobby adotada pela indústria no Congresso.
Uma das maiores preocupações dos americanos era que o modelo favorecesse a competição chinesa, já que a empresa estatal da China, poderia oferecer mais lucros ao governo brasileiro.
Patrícia Padral teria reclamado da apatia da oposição: “O PSDB não apareceu neste debate”.
Segundo ela, José Serra se opunha à lei, mas não demonstrava “senso de urgência”. “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, teria dito o pré-candidato.
O jeito, segundo Padral, era se resignar. “Eles são os profissionais e nós somos os amadores”, teria dito sobre o assessor da presidência Marco Aurelio Garcia e o secretário de comunicação Franklin Martins, grandes articuladores da legislação.
“Com a indústria resignada com a aprovação da lei na Câmara dos Deputados, a estratégia agora é recrutar novos parceiros para trabalhar no Senado, buscando aprovar emendas essenciais na lei, assim como empurrar a decisão para depois das eleições de outubro”, conclui o telegrama do consulado.
Entre os parceiros, o OGX, do empresário Eike Batista, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Confederação Naiconal das Indústrias (CNI).
“Lacerda, da Exxon, disse que a indústria planeja fazer um ‘marcação cerrada’ no Senado, mas, em todos os casos, a Exxon também iria trabalhar por conta própria para fazer lobby”.
Já a Chevron afirmou que o futuro embaixador, Thomas Shannon, poderia ter grande influência nesse debate – e pressionou pela confirmação do seu nome no Congresso americano.
“As empresas vão ter que ser cuidadosas”, conclui o documento. “Diversos contatos no Congresso (brasileiro) avaliam que, ao falar mais abertamente sobre o assunto, as empresas de petróleo estrangeiras correm o risco de galvanizar o sentimento nacionalista sobre o tema e prejudicar a sua causa”.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Dia 10 de Dezembro - Dia Mundial dos Direitos Humanos - Participe!
Participe e ajude a divulgar. Listamos abaixo algumas sugestões de twittes, envia a sua sugestão!!!
Hashtag: #DireitosHumanos
DIREITOS HUMANOS
Sou brasileiro e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou brasileira e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou mulher e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou homem e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou negra e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou negro e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou índia e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou índio e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
GÊNERO, RAÇA E ETNIA
Sou contra o racismo e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou contra o preconceito e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Sou a favor da igualdade de gênero, raça e etnia e comemoro o Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras do Estado. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
A vontade do povo será a base da autoridade do governo. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social. Dia Mundial dos #DireitosHumanos http://bit.ly/dO6bR2
Outras Línguas:
Inglês
All human beings are born free and equal in dignity and rights. Dia Mundial dos #DireitosHumanos – http://bit.ly/eZ29nK
Francês
Tous les êtres humains naissent libres et égaux en dignité et en droits. Déclaration universelle des droits de l’homme. Dia Mundial dos #DireitosHumanos – http://bit.ly/eZ29nK
Español
Todos los seres humanos nacen libres e iguales en dignidad y derechos. Dia Mundial dos #DireitosHumanos – http://bit.ly/gnukVf
Russo
Все люди рождаются свободными и равными в своем достоинстве и правах. Dia Mundial dos #DireitosHumanos – http://bit.ly/eZ29nK
Swahili/Kiswahili
Watu wote wamezaliwa huru, hadhi na haki zao ni sawa. Dia Mundial dos #DireitosHumanos – http://bit.ly/eZ29nK
Esperanto
Ĉiuj homoj estas denaske liberaj kaj egalaj laŭ digno kaj rajtoj. Dia Mundial dos #DireitosHumanos – http://bit.ly/eZ29nK
Chinese
人 人 生 而 自 由, 在 尊 严 和 权 利 上 一 律 平 等。 他 们 赋 有 理 性 和 良 心, 并 应 以 兄 弟 关 系 的 精 神 相 对 待。Dia Mundial dos #DireitosHumanos
- http://bit.ly/eZ29nK
Guarani
Mayma yvypóra ou ko yvy ári iñapytl’yre ha eteîcha dignidad ha derecho jeguerekópe. Dia Mundial dos #DireitosHumanos – http://bit.ly/gnukVf
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