sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A Sinuca de Bico chamada Marina



A entrada da Marina na disputa presidencial causou uma sinuca de bico em todo mundo.

O PT ficou sinucado porque já dava a eleição da Dilma como favas contadas, só estava em dúvidas se teria 2º Turno ou não. Agora já dá como certo o 2º Turno, e pode ter uma candidata mais competitiva no páreo. Os Petistas colocam as barbas de molho mas não mudaram a estratégia, até porque quem tem os resultados dos Governos Lula e Dilma para mostrar, não sobra muito tempo para falar dos adversários. É mostrar o que fez e desconstruir o discurso de ódio contra o PT repetido pela mídia e pela direita mais conservadora.  

Sinucados mesmo ficaram os Tucanos, que perderam o 2º lugar na disputa para a Marina, e correm sério risco de ficarem de fora do 2º Turno pela 1ª vez desde 2002, o que significaria uma derrota simbólica estrondosa para o partido e para o seu séquito conservador. Uma derrota ampliada pelo sumiço do DEM do cenário político nacional, o que deixa a direita tradicional sem representante nato.

Ou seja, os Tucanos precisam atacar Marina para terem chance de ir ao 2º Turno. Mas não podem bater descaradamente e de maneira oficial, pela boca do próprio candidato, senão, em caso de ficarem em 3º lugar, eles se colocam em situação delicada para apoiar a Marina em um eventual 2º turno contra a Dilma. Como assim, falaram tão mal e agora apoiam?

Todos já sabem como eles vão fazer para bater sem mostrar a mão, vão usar o maior partido político clandestino do Brasil: a mídia. A Veja já começou escalando o seu cachorro louco para desconstruir a Marina. Logo, logo, seus mais acéfalos seguidores vão começar a reproduzir o discurso, o que vai aumentar a rejeição da Marina entre a direita fundamentalista, dificultando um pouco o segundo turno para a neo-PSBista. Até porque a elite conservadora tradicional não confia na Marina de jeito nenhum.

Aécio no 2º Turno é um candidato pouco competitivo, e ele tem potencial de atrapalhar Marina com seu eventual apoio. 

Aí entramos na maior sinuca de bico: a da própria Marina.

Marina está em uma situação muito pouco confortável. O PSB, liderado por Campos, tinha fechado grandes acordos com setores conservadores, acordos estes que o partido colocou no papel e exigiu de Marina a sua assinatura para lhe dar a vaga de candidata. Deu o recado em alto e bom tom para todos: não confiamos em Marina. 

Marina ainda representa uma forte ruptura dentro do próprio PSB, que é uma espécie de PMDB com roupagem mais moderna, pois alguns de seus caciques já debandaram. O Secretário Geral e ex-coordenador de campanha Carlos Siqueira declarou: "da Marina quero distância", pouco depois de ter sido substituído por Feldman, que por sua vez já foi substituído por Erundina na coordenação da campanha. Logo a Erundina que declarou: "Marina Silva deseduca a sociedade".

Tem mais. Para se ter uma ideia do enrosco, o vice da Marina, Beto Albuquerque, é um ruralista. Quem diria que a defensora do meio ambiente teria como vice um ruralista? Que ironia! E de quebra vem o apoio da Monsanto, aríete dos transgênicos e inimiga número um dos ambientalistas. E os 3 maiores doadores de campanha de Campos são do setor do agronegócio: Atasuco, fabricante de sucos - R$ 1,5 milhão, a JBS, produtora de carne - R$ 1 milhão e Cosan, produtora de açúcar e álcool - R$ 1 milhão.

Falando em financiamento de campanha, além do já previsto aporte da Natura, agora é o Itaú que aporta na campanha de Marina através da herdeira Neca Setúbal, o que causa uma dúvida: se eleita presidente Marina de esforçaria para cobrar a dívida de R$ 18,7 bilhões do Itaú com o Governo Federal? Uma situação incômoda.

E por falar em incômodo, precisamos lembrar que Marina construiu sua história de vida dentro da militância política de esquerda, mas agora está tendo que ficar lado a lado com Serra, Alckmin, Heráclito Fortes, Jorge Bornhausen e, pasmem, Ronaldo Caiado, direitista raivoso e mais famoso ícone da bancada ruralista. 

É, a Marina vai ter que se explicar bastante se quiser continuar no páreo. Na outra eleição a imprensa tucana só elogiou, porque cada voto seu era um voto a menos para Dilma, na conta deles. Mas agora cada voto seu é mais um aceno de adeus para Aécio Neves. E cada pedrada hoje complica o discurso de aliança no 2º Turno.

Sinuca de bico.



domingo, 10 de agosto de 2014

O que é informação?


A informação é a percepção de um signo que altera um estado de certeza.

Comentários acerca do conceito acima enunciado.

Introito

Antes de qualquer outra exposição, cabe dizer que os conceitos são todos utilizados por empréstimo, são adulterados, apropriados, ressignificados e recompostos.

Não será negada qualquer inspiração, mas não passa disso: inspiração. Os conceitos, quando apontada sua matriz, que não se busque uma aplicação coerente com a original, pois não é este o caso. No entanto, por honestidade intelectual, vamos citar, na maioria das vezes, de onde sacamos uma ideia, mesmo que ela já não guarde muita semelhança com a fonte.

Aqui também não se pretende estabelecer qualquer verdade, mas sim oferecer uma interpretação. Não se trata de estabelecer um raciocínio irrefutável ou imune à crítica. Trata-se apenas de construir uma ferramenta cognitiva, que sirva para elaborar algum outro tipo de pensamento que seja válido, útil ou lúdico.

Percepção

A informação existe sem um receptor? Essa pergunta é muito difícil de ser respondida, e não há conclusão fácil. A princípio sim, podemos crer que a informação existe independente do receptor.

Por exemplo: o céu noturno contém muita informação para quem sabe interpretar, e existe independente do homem. Certamente podemos considerar o céu como informação, mas não como mensagem.

A mensagem implicaria a existência de um emitente, um meio e um receptor. Vejamos, um bilhete possui um emitente: quem escreve; um meio: o papel; e o receptor: quem lê.

Mas no caso do céu não há um emitente, a não ser que consideramos que o emitente seja Deus, o que implicaria um teísmo e, logo, na irrefutabilidade da tese, que nos termos de Karl Popper reduziria sua condição de proposição racional, quiçá científica.

Assim sendo, o que faz do céu uma informação é tão somente a existência da percepção deste por um receptor. Esta concepção deve agradar muito aos existencialistas e aos seguidores da fenomenologia, tornando as manifestações como fonte potencial de informação.

Signo

O entendimento como signo, na semiótica de Peirce, é devido a ampliação para além da linguagem, como registrava Saussure, podendo ser aplicado a outras formas de comunicação.

Como exemplo podemos citar a marca feita em árvores por ursos para delimitar seu território. Não é uma linguagem no sentido estrito, mas é um signo que pode conter muita informação, talvez vital para alguém andando na mata.

O signo, a rigor, poderia ser excluído do enunciado, podendo restar apenas: “a informação é uma percepção que altera um estado de certeza", o que o deixaria mais curta e elegante. Mantivemos o termo signo para não colocar todo o peso da definição na percepção, desconsiderando assim completamente o meio.

Certeza

Aqui entramos no campo da cognição e da lógica, posto que o conceito de certeza é de difícil apreensão. Precisamos então buscar a definição de Newton da Costa de conhecimento, como sendo uma "crença verdadeira e justificada". Precisamos separar certeza de conhecimento.

Uma certeza pode não corresponder ao conhecimento. Podemos ter certeza de algo que não pode ser verificado, ou que não pode ser justificado. Por exemplo: podemos ter certeza que o Zé está vivo, porque o vimos ontem, mas neste meio tempo o Zé pode ter morrido, apesar de minha certeza não ter sido abalada.

A certeza guarda relação direta com a crença. No caso, eu posso acreditar que tal pessoa está viva, e isso é uma crença, que leva ao estado de certeza. Mas esta certeza pode não ser verdadeira, pode não corresponder à realidade.

Podemos tomar como exemplo um paradigma superado. Era uma certeza medieval que o Sol orbitava em torno da Terra. Este é um bom caso sobre como a informação pode levar ao aperfeiçoamento do conhecimento.

Foram as informações oriundas do céu, percebidas por Kepler e Galileu, que levaram a alteração deste estado de certeza.  A certeza foi alterada por uma verificação que a crença medieval não correspondia a realidade, não era verdadeira.

Mas, para além de uma crença ser verdadeira, para se tornar conhecimento, deve ser também justificada, ou seja, ser comprovada através de argumentos racionais e científicos. No caso da órbita da Terra em torno do Sol, os modelos matemáticos justificaram a nova crença, tornando-a conhecimento.

Mas por que a informação deve ser definida como algo que altera uma certeza, e não como algo que acresce o conhecimento? Porque a informação pode ser falsa. Alguém pode me dizer que o João morreu, e ser mentira, mas não deixa de ser uma informação por ser falsa, é apenas uma falsa informação. Até então eu tinha certeza que o João estava vivo, e agora essa certeza foi abalada.

Originalidade e Redundância

Chegamos então a necessidade de alteração de um estado de certeza para comentar o último elemento de nossa definição.

Uma mensagem completamente redundante, que não altera o estado de certeza (ou de incerteza), não pode ser considerada informação. Se leio uma manchete de jornal: "Chacrinha morreu", essa mensagem não altera meu estado de certeza, pois já era de meu conhecimento que Chacrinha morreu.

A mensagem plenamente redundante não é informação. Mas não é informação para ninguém? Pode ser sim uma informação, pois, alguém desprevenido pode acreditar que o Chacrinha ainda está vivo, então para essa pessoa, a mensagem será original e de fato informará.

Isso confirma a relação da informação com o receptor, pois é no receptor que se resolve a redundância ou a originalidade da mensagem. A redundância não deixa de ser uma informação, pois se alguém me diz que João morreu, eu posso não acreditar, mas se 3 pessoas disserem, aumentará a minha certeza de que isso é um fato. A redundância ajuda a fixar a mensagem para o receptor.

Mas acima de uma certa taxa de redundância a mensagem deixa de ser informativa e se transforma em mera repetição, não fazendo mais diferença para o estado de certeza do receptor. Esta correlação, no binômio de Deleuze, entre Diferença e Repetição é fundamental para o entendimento do que é, e do que não é informação.

Vida

Por fim, olhemos para o DNA. Chega a ser um lugar comum que o DNA contém informação genética. Vamos testar a definição. O DNA leva a presente definição ao seu extremo, e é necessário um esforço de entendimento para a tornar aderente ao conceito.

O DNA é um código, que é contido no seu próprio meio: o cromossomo. Esse conjunto pode ser considerado um signo, pois sua "interpretação" pelo ser, ou pelo novo ser, carrega uma instrução, para agir, ou se desenvolver de uma determinada maneira.

O DNA não é "percebido" pelos sentidos, mas sim quimicamente, o que não deixa de ser uma percepção, assim como uma ameba "percebe" seu meio e reage a ele através de relações químicas. Levando ao extremo, nossos sentidos são processamentos cognitivos de percepções físicas e químicas. O que seria do paladar sem as reações fisico-químicas?

Por fim, o código contido no DNA altera o estado de incerteza do ser em questão. Se antes não seria possível afirmar que o ser seria alto ou baixo, o código contido no DNA confere esta certeza, que tal ser será ou alto, ou baixo. Após a informação contida no DNA ser "percebida" pelo ser, não resta dúvidas sobre a instrução a ser seguida.

Fica clara uma acomodação do exemplo para caber no conceito, mas o exercício que propomos não é o de espremer o conteúdo para caber no recipiente, mas sim alargar o recipiente, ampliar o entendimento do que é signo, percepção e certeza.

Este alargamento conceitual pode nos levar a contemplar a vida de outra maneira, estendendo ao íntimo de todo e qualquer ser a experiência cognitiva, ampliando assim as portas da percepção e da significação.

sábado, 12 de julho de 2014

Para um país em que FUTEBOL É MÁFIA, 7x0 foi pouco


Diagnóstico
CBF é uma máfia
Jogadores saem do país ainda menores de idade
Clubes são máfias
Futebol europeu gera renda com a transmissão do futebol e consegue pagar craques
Globo não deixa a transmissão do futebol brasileiro ser um sucesso internacional
Futebol brasileiro não gera renda com venda de direito de imagem
Torcidas organizadas são violentas

Prognóstico
CBF deve ser pública, profissional, transparente e séria
Brasil precisa gerar renda com o seu campeonato, inclusive com transmissão
Calendário de jogos deve ser anual e permitir o treinamento de times (jogos 4a e domingo não permite)
Brasil deve segurar seus craques no Brasil
CBF deve ser substituída por outra liga e ter formação de jogadores de base
A Liga que substituir a CBF deve ter um time base e treinar diversas vezes ao ano
A Liga substituta deve complementar o salário de craques para continuarem a jogar no Brasil

Conclusão
Para um país em que FUTEBOL É MÁFIA, 7x0 foi pouco
Fora Máfia da CBF e da Globo

sábado, 28 de junho de 2014

EUA financiam a onda de protestos mundo afora



Governos que não são subservientes aos interesses americanos devem cair.  Brasil incluso, claro.

Irã, Ucrânia, Egito, Líbia, Venezuela... Todos estes países foram ou são vítimas de uma mesma estratégia: desestabilização de governos através de protestos que exploram os ódios internos do país.

Financiadas pelos EUA ONGs "internacionais" promovem cursos de "protestos não-violentos", enquanto grupos se infiltram para promover baderna e violência.

Os "movimentos revolucionários" enlatados estão no Brasil também, usando inclusive movimentos sociais legítimos como massas de manobra.

Assista e tire suas próprias conclusões.




sábado, 17 de maio de 2014

A CIA na Copa?



O estilo de agitação política em torno da Copa é típica da CIA. Basta recordar o Irã em 78, e como a CIA agiu para desestabilizar politicamente o país. Basta olhar para os desafetos políticos na América Latina dos EUA.

O método da CIA é utilizar a raiva, o ódio e o preconceito do povo aplicados aos seus assuntos mais sensíveis para provocar agitação política e desestabilizar o sistema para preparar o terreno para que o povo aceite um golpe de estado.

Hoje no Brasil o judiciário é quem está pavimentando o caminho do golpe, mas dessa vez um golpe brando, e não militar. A via eleitoral será tentada primeiro, e as principais apostas são obviamente apontadas para os tucanos.

A falta de clareza política da população facilita o trabalho dos golpistas, fertilizando o solo para que se plante a discórdia através de falsas polêmicas e cortinas de fumaça ideológicas.

Teoria das conspiração para uns, possibilidade para outros, mas uma única certeza: a CIA mostraria a mão...

Leitura recomendada: Confissões de um Assassino Econômico - John Perkins.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

No Brasil as Elites são Predatórias



No Brasil as elites são predatórias. Não se importam com o país, com o bem estar da população, com a própria terra em que vivem.

Se pudessem morar todos em Miami ou Suíça, morariam. A nossa elite não gosta do nosso povo, não gosta do nosso país, está ideologicamente comprometida com os EUA e com a Europa. São meros admiradores dos países "ditos" evoluídos.

Um país que preserva e dissemina estes valores não pode dar certo, não pode sair da lama.

O estilo de vida Americano e Europeu não é viãvel, pois demanda uma utilização de energia que ultrapassa a capacidade de produção energética da Terra. Ou seja, se houvesse igualdade de condições, o mundo não seria possível, pois teríamos ter 6x mais recursos do que temos hoje.

Mas mesmo assim as pessoas sonham em terem níveis de vida tal qual os europeus ou os americanos. Este é o maior passo para a extinção que pode ser dado. E todos nós estamos dando este passo.

A ecologia dos desejos (o que nós desejamos para nossa vida), é muito mais importante do que a ecologia social, ou a ecologia ambiental. De nada adiantará alguma justiça social sem matas e mares. E estes não serão possíveis se continuarmos a desejarmos para nossas vidas os paradigmas europeus ou americanos de vivência. Precisamos mudar os padrões comportamentais para que o mundo se torne viável.

Este modelo de sociedade está falido, e só pode levar à falência da nossa sociedade. Não enxerga e não quer. Você é cego? Nós somos cegos?

Kiev, Caracas, Rio de Janeiro.



A extrema esquerda serve à direita sem saber, ou sabendo. Geralmente sem saber. Mas serve.

Aprendi isso quando era da extrema esquerda e, exatamente por isso, deixei de ser.

As manifestações na Ucrânia, Venezuela e Brasil, entre outras, estão todas alinhadas com os interesses Americanos (já me sinto perseguido pela NSA por ter afirmado isso) apesar de travestidas de interesses nacionais. Quem está com dificuldades de entender esta afirmação, por favor, leia este livro: Confissões de um Assassino Econômico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Confiss%C3%B5es_de_um_Assassino_Econ%C3%B4mico).

Diversos companheiros se sentem envergonhados de se posicionarem criticamente contra as manifestações atuais. São tomados pelo medo e pelo mãntra: "Se existe manifestação, sou a favor".

Ora, qualquer um tem direito a se manifestar, é claro. Se existe manifestação de massas é necessário escutar, dialogar, interpretar. Isso é óbvio. Que o governo do PT errou em (tentar ou conseguir) cooptar os movimentos sociais, também é óbvio. Que o governo Dilma errou em recriminar repasses financeiros à sociedade civil (ONGs), também é óbvio.

A única coisa que me intriga de fato: nada se fala contra a sonegação! Não pode ser classificada como politizada uma manifestação que não marcha contra a sonegação, que é, disparado, o maior desvio de recursos públicos do Brasil: R$ 450 bilhões, contra R$ 80 bilhões da corrupção.

E não pode ser coincidência que todas as agitações políticas acabam beneficiando os interesses dos EUA. E o pior, depois de tudo, do wikileaks, Snoden, ainda existem ingênuos, ou mal intencionados, usando o discurso da "teoria da conspiração". Acorda meu caro manifestante, você está trabalhando para a CIA neste exato momento. E eu não estou com medo.

Quem de fato se preocupa com a justiça social não tem medo de denunciar o uso das massas por interesses retrógrados. Mesmo que amigos e companheiros estejam recriminando tal posição, querendo "fazer moral" com os movimentos. Sem corajem suficiente para se posicionarem, a maioria opta pelo: "se existe contestação, sou a favor". Eu continuo sendo comprometido somente com minha consciência,  e não com a moralzinha que eu posso vir a disfutrar no "movimento". Que se ardam os "famosinhos" de esquerda. Não estou vendo debate polítizado, só o uso das câmeras de TV, só o império da Mídia, só a Sociedade do Espetáculo.

Se não existe uma faixa contra empresários e contra a sonegação, porque eu não posso dizer que estas manifestações são todas despolitizadas? Todos tem direiro a manifestar qualquer coisa, menos eu a minha opinião? Enquanto estas manisfestações não forem majoritariamente contra a sonegação, contra o lucro, contra o capital, contra o empresariado, eu as considerarei despolitizadas. Estou no meu direito de entender a política como eu acho que devo entender. Me desculpem, mas eu me nego a aseguir as massas.

Uau, que polêmica... desculpe-me por ser um polêmico...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Manifestações: contra tudo aquilo que não está aí...


Sócrates ensinava que podemos definir o que é através do que não é.

Pensando sobre as manifestações de rua de 2013. Havia alguns denominadores comuns entre elas, e a grita contra a corrupção era um deles.

Alguns podem crer que foi a maior pauta das manifestações. Vamos considerar: se esta é uma pauta que mobiliza de fato a população atualmente, por qual motivo não houve uma invasão nas ruas de São Paulo quando estourou o escândalo de corrupção no Metrô?

Logo, apesar de ter sido uma pauta constante, considerando o universo de São Paulo e a ausência de grandes manifestações contra o escândalo do Metrô, começamos a definir que as grandes manifestações não foram contra a corrupção, apesar desta ser uma das principais pautas.

E as manifestações, se foram contra a corrupção, não guardavam coerência racional com uma real demanda por economia de recursos públicos, uma vez que a corrupção é responsável pelo desvio de R$ 80 bilhões contra R$ 400 bilhões desviados pela sonegação. Não havia numerosos cartazes, nem gritos de guerra, contra os empresários ou contra a sonegação.

Protestar é válido, sempre, mas a grita contra a corrupção sem grita contra a sonegação, não pode ser uma pauta politizada, apesar de legítima. Certo?

sábado, 25 de janeiro de 2014

Vamos dar um rolezinho na nossa mente....



No início de 2014 o "rolezinho" tomou a cena no Brasil. Muitas interpretações surgiram, mas nenhuma negou a existência da segregação social como origem da situação. As que não consideraram tal situação não podem ser levadas a sério, por motivos óbvios.

Um ano de Copa do Mundo, uma festa em que só a elite pode participar ao vivo, em um país com imensas desigualdades, é um terreno fértil para manifestações. As desigualdades caíram drasticamente, mas persistem fortes ainda, e a TV não mostra sua redução.

E a direita, com entusiasmo da "extrema-esquerda", foi eficiente em arregimentar os jovens do país contra o governo que mais reduziu a desigualdade social na história do país, o que em si já é um grande contra-senso.

O exército de "coxinhas" foi para a rua sob batuta da pauta conservadora, defendendo até o que não conhecia, tal como a PEC 37. Ninguém em sã consciência pode imaginar que a negação da PEC 37 seja uma pauta popular, o que deixa muito claro o entrismo do MP no movimento.

A pauta de negar a política é, por definição, despolitizada. Só pode ser. Em debate com Gindre concluímos que as manifestações estão longe de se restringirem a isso, e sua interpretação mais complexa merecerá um post em breve.

O coitado do "passe livre" virou passageiro no "movimento" que desencadeou, e os mais diversos interesses utilizaram seus "porta vozes" para legitimar suas convocações sempre que possível. Os Anonymous foram rebocados também, todos rebuscados, cheios de charmes visuais e digitais, mas representantes da alienação política de uma maneira geral.

Os tais Black Blocs atuaram como "bobos da corte do capital",  virtualmente "destruindo" o capital, mas na prática legitimando o discurso da elite mais conservadora contra qualquer tipo de manifestação. O discurso corporal dos Black Blocs serviram como luva para a delimitação ideológica e para o aprisionamento do "movimento" pela TV e pelos Jornalões. Os Black Blocs são o sonho de consumo que qualquer PM inteligente. Entende?

O aparente paradoxo entre uma  rejeição à copa e a redução da desigualdade social só pode ser explicado pelo fracasso na estratégia de comunicação do PT, óbvia para qualquer observador mediano. 12 (doze) anos de governo, e nenhuma mudança foi feita na comunicação no país, o que facilitou que os indignados úteis, posteriormente amparados pela mídia, convocassem pelas redes sociais os jovens frequentadores das cadeias de fastfood nos shoppings para protestar contra a Política.

A mídia trabalhou com afinco para pregar a pecha de "corrupção" no PT, o maior partido de esquerda do mundo. E teve sucesso parcial por insistência da direita, mas também por insistência da extrema-esquerda sem pauta, e por permissividade da centro-esquerda, que passou 12 (doze) anos obedecendo aos meios de comunicação em relação às políticas públicas (ou à ausência delas) de comunicação.

E surge o rolezinho, que não tem nada a ver com isso tudo, mas ao mesmo tempo tem tudo a ver, porque o PT promoveu a ascensão à classe média sem promover nenhuma, absolutamente nenhuma, modificação na consciência política das massas.

"Promoveu" milhões e milhões de pessoas para a classe média e entregou a consciência destas massas para os valores burgueses e reacionários, prato cheio para as novelas e jornalões.

Agora fica difícil reclamar, pois teve a chance de democratizar a comunicação e não fez. Agora tome reação reacionária, em todos os sentidos, inclusive os redundantes. A falta de visão estratégica resulta nisso, e esta constatação coloca em xeque a idolatria dos ídolos da esquerda que todos cultuam.

Durma-se com este barulho PT. Não democratizou as comunicações, achando que isso não era importante para o projeto estratégico, ou meramente secundário... agora vai ter que adoçar a colheita deste fruto amargo.

Será que vamos aprender?

Mas como o Paulo Bernardo continua muito bem o trabalho do Hélio Costa, parece que o PT continua a cultivar suas próprias sarnas... E reclama de coçá-las, mas as coça!

Enfim, um pouco de verdade pode doer aos companheiros, mas a falta dela dói muito mais... muito mais...

domingo, 5 de janeiro de 2014

Vem pra rua vem... eu sou manipulado, você também...



Neste Natal, o PSDB deseja que durante a Copa as ruas sejam tomadam por alienados indignados. Alguém vai obedecer bovinamente? Para quem protestar é uma questão de vida, de ideologia, de necessidade; este protesta quando quer, quando a demanda se expressa, e não quando a mídia manda ou quando a direita quer.

Quem protesta só quando a câmera aponta, pelo preço da coxinha, contra "tudo que está aí", contra a Política, contra a "corrupção", é o mesmo que se esconde quando os conservadores atacam os direitos humanos, que vota em neonazista, que gasta horrores na balada, que aplaude os paladinos (tipo Demóstenes Torres e Joaquim Barbosa) e que nada diz contra a sonegação, que é 5x maior do que a corrupção (tudo contra a corrupção, que fique claro).

O PSDB quer todo mundo na rua, deseja manipular as massas. E o PSOL acha que está fazendo a revolução promovendo o "entrismo" no Anonymous.Br. Funcionam como força auxiliar dos tucanos e se acham "heróis do movimento popular". E (parte d)o Anonymous.Br se acha justiceiro pacas, mas se coloca a favor dos interesses dos setores mais conservadores da sociedade sem se dar conta. O pior alienado é aquele que nem percebe a quem serve sua ação.

Quem vai pra rua faz política, e tem que saber que faz política. Ir para a rua gritando contra a política é algo como amaldicionar o adultério para seu/sua amante.

Faça política mas não seja usado, não seja ingênuo, não seja massa de manobra. Vá pra rua, mas não quando a câmera aponta, não quando a mídia manda. Você está a serviço dos interesses de quem?

O que foi invertido quando?


A humanidade fracassou
O dilema ético prosperou

A filosofia nada resolveu
É bela, é complexa, é admirável
E a mulher sofre ainda mais que o homem

Tudo já foi pensado, pouco foi absorvido
Os nossos se comportam como outros, como estranhos

Os mais refinados recados os Deuses já enviaram
Mas nenhum evitou as mazelas cotidianas
Não resolveram os problemas das pessoas
Não evitam o sofrimento de cada dia

Os conhecimentos e os recursos são meros caminhos
Que conduzem à mesquinhez e à exploração

O futuro é adivinhação, ficção, desejo pessoal
Nunca um legado de pensamentos e ações
As gerações futuras simplesmente não são

Machismo, preconceito, pobreza, violência...
Abundância de idiotice, fartura de ódio

3 Vivas à tecnologia

Viva ao jovem
Viva à moda
Viva à novidade

Morte à tradição
Morte à prudência
Morte à sabedoria

Quem inverteu o quê?
Quando?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Eu odeio política. Eu te odeio. Eu me odeio.


Preparem-se para a pior campanha política da história do Brasil. O nível será baixíssimo, e esta é uma tática que favorece aos conservadores.

Não interessa a argumentação, confronto de dados ou o debate de ideias. Interessa a agressão, a despolitização e a baixaria generalizada.

Interessa à direita que as pessoas odeiem cada vez mais a política, que tenham nojo, que sintam repulsa, pois assim estarão odiando "toda essa bandalheira que está aí", e sentirão impulso de "mudar tudo". É óbvio que esse tipo de pensamento interessa à direita, que está fora do poder.

Quem odeia a política odeia a si mesmo, porque o preço do feijão depende da política. Já que a política é inevitável, que a decisão política seja partilhada por todos, isso é a tal Democracia.

Se você se pegar odiando, sentindo repulsa ou nojo da política, pare e pense, pois você está sendo manipulado. Sua indignação está sendo manipulada, e seu ódio está sendo usado para abastecer os cofres políticos da elite.

Então veja bem, analise e decida-se por aqueles que não tem ódio nas palavras. Os que usam o ódio querem que vc odeie junto com eles, e que o do ódio se construa uma nova ordem.

Isso pode acabar bem?

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Riqueza, Fama ou Glória?


Deus, "Marina, tu queres riqueza, fama ou glória?".
Marina Silva, "Será que podem ser os 3 juntos?".
Deus, "O pato nada, anda e voa. Mas não faz nenhum dos 3 bem".
Marina Silva, "Glória Senhor!"

E Marina partiu para a glória. Mas Glória é para poucos, e Marina ficou à deriva no mercado de votos. Ela sabe bem que neste mercado tem capital político cativo, mas onde investir sua Riqueza?

Sua riqueza, dantes vinda de sua coerência política, hoje vem da fama de "nova política". Mesma fonte donde bebe Eduardo Campos. Mas como a Fama é coisa para os donos da mídia, e Marina ficou à deriva no mundo das celebridades.

Para manter seu capital político e sua imagem na mídia, Marina sacrificou, uma vez mais, sua coerência e, de quebra, sua glória. Pulou de partido em partido, mostrando ao Brasil que alguns dos maiores se sujeitam a ser barriga de aluguel. Um vale tudo em busca de um projeto político pessoal que, mesmo travestido de coletivo, não passa de um projeto pessoal em busca da glória.

Marina ensina, para quem sabe ler, que é uma política tradicional que usa o "novo" como discurso, como meio de alcançar o poder. E Campos aceitou unir o seu capital político ao de Marina em um empreendimento eleitoral de risco para ambos, mas que, devido ao atual cenário catastrófico para a ideologia conservadora, tem espaço no seio da oposição.

Terão problemas para encaixar o discurso, pois em uma disputa política a pior propaganda é a do meio termo, que quer aproveitar a herança da situação e colher os frutos da indignação. Entre a cópia e o original, a esquerda ficará com o original. Entre o calmo e o raivoso, a direita ficará com o raivoso.

Nadarão nas águas turbulentas do senso comum, em busca de um discurso classe média sonegadora de impostos que não aceita ser governada por ladrões incompetentes. Somado a um bom recheio do voto em nome de Jesus, e já se terá uma boa refeição. Mas insossa, morna, e nauseante.

Campos e Marina lutarão pelos votos direitistas com o Aécio, e ao final do 1º turno quem ganhar disputará com Dilma. E para disputar com a Dilma, o adversário terá de abraçar o discurso conservador e se comprometer até os rins com tudo aquilo que prometeu combater.

Irônico?

E onde estarão os que foram para a rua: entre os indignados úteis, entre os ingênuos, dispersos no espectro político, ou estarão entre os que anularão seus votos, deixando para outros a escolha do futuro do país?

A falta de discurso já é um sinal...


sábado, 19 de janeiro de 2013


A Myriam Rios como legisladora é uma atriz mediana. Propôs, e aprovou, uma lei de péssima qualidade técnica, vaga e, provavelmente, inócua. Melhor assim, pois poderia ser bastante nociva caso fosse menos vaga.

A lei cria um programa para promover a "reflexão sobre a necessidade da revisão sobre os valores morais, sociais, éticos e espirituais". Ora, não se transforma os valores sociais por força de lei. É um processo complexo que atravessa gerações e que só é possível através da alteração das relações sociais. Esta lei, por exemplo, não tem nenhum poder para modificar a monetarização da vida, grande responsável pela banalização da morte.

Não tem poder para modificar o individualismo, a intolerância, a exploração, as desigualdades sociais, o preconceito, o machismo, e nem qualquer um dos pilares do convívio ético entre as pessoas. Não gerará mais solidariedade, mais cooperação e nem ao menos mais gentileza. Pensar que isso pode ser feito através de leis é um tremendo equívoco. Há de se mudar toda a sociedade.

É uma lei é extremamente vaga, que não especifica quais são os bons valores e quais são os ruins. Mas ainda bem que a lei é mal elaborada, pois seria muito mais temerária uma lei que especificasse o comportamento "adequado" para as pessoas. Valores morais são sempre vagos e transitórios, mudam de acordo com os costumes. O que era escândalo ontem, hoje pode ser considerado normal e vice-versa.

Moral é diferente de ética. A moral é hipócrita e geralmente esconde práticas pouco éticas. Os moralistas não estão preocupados com valores como igualdade, diversidade, liberdade e solidariedade. Estão preocupados com o pudor, comportamento sexual e com as práticas religiosas. Moralistas são perigosos para a sociedade.

Um moralista facilmente pode se associar com a bandidagem e manter a sua pose de defensor dos bons costumes. Demóstenes Torres não nos deixa mentir. E cabe a pergunta: quem será convidado para ministrar palestras sobre os valores da família para as nossas crianças? Gays preocupados com valores éticos de igualdade, liberdade e diversidade, ou moralistas hipócritas e conservadores?

Mas devo admitir, esta lei pode gerar ainda um debate bastante interessante em sua regulamentação: a definição dos Valores Espirituais será feita em uma Mesa Branca ou em um Terreiro de Candomblé?

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Democracia! Para as empresas de comunicação...


A democracia moderna parece ser um regime de equilíbrio frágil. Os seus princípios são éticos e irrefutáveis, mas sua prática permite a concentração de poder nas mãos dos principais agentes econômicos, e favorece a perpetuação das elites no poder político.

O regime, concebido e estabelecido nos tempos em que o jornais, televisões, rádios e outros meios de comunicação de massas não existiam, ostenta belos conceitos fundadores: participação universal, bem comum, decisão majoritária, livre formação de consciências e, não poderia deixar de ser citado, o já tradicional balanço entre poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, de Montesquieu. Preceitos nobres que almejam o equilíbrio político na sociedade.

Porém, na prática, a democracia não apresenta resultados compatíveis com as expectativas geradas pelos seus princípios fundamentais. É  esperado um governo "para todos", no entanto, é mais comum o favorecimento às elites, locais, nacionais e transnacionais e, a promoção da concentração de poder.

A livre formação de consciência, um dos pilares da democracia, pressupõe igualdade nas condições de acesso aos bens culturais, sociais e materiais. As condições de igualdade são fundamentais para a aplicação da democracia. Por exemplo, o acesso universal à educação de qualidade pode ser visto como um dos fatores fundamentais para proporcionar uma condição ideal à prática da democracia pois, em tese, nivelaria o jogo político. Mas é uma condição muito difícil de ser alcançada.

Neste cenário, adverso às condições ideais, a posse dos meios de comunicação interfere na livre formação de consciência, influi no processo democrático e desequilibra as forças políticas. Os meios de comunicação canalizam e comercializam o acesso aos bens culturais e sociais, selecionando o conteúdo que lhes convém e sugerindo interpretações políticas das informações que comercializam.

A intencão de interferir na formação de consciência é cotidianamente percebida na propaganda das empresas de comunicação, que frequentemente relacionam sua audiência com o arquétipo do cidadão consciente. Apesar de disfarçarem sua atuação, se apresentando como inofensivos comerciantes de informações, os meios de comunicação são efetivos agentes políticos. E devem ser regulados como tal. As empresas de mídia utilizam como escudo a liberdade de expressão para protegerem seus poderes políticos, e sua pretensa capacidade de manipulação da realidade.

Ora, todas as forças políticas são reguladas. Os donos das grandes empresas de comunicação não são seres especiais, e não devem gozar de um estatuto de cidadania privilegiado. A falta de regulação da atuação política dos meios de comunicação cria condições especiais para operação de grupos de poder organizados em torno de interesses particulares, relacionados aos interesses dos proprietários das empresas.

Assim não há democracia. Há um simulacro de democracia, uma paródia verossímil. Uma gigante representação teatral.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Gol contra do STF

O STF marcou um gol contra a democracia no julgamento do "mensalão". Em primeiro lugar não poderia julgar o processo no período eleitoral, afim de não influenciar no resultado do pleito, enquanto outros julgamentos políticos mais antigos descansam nas gavetas.

Em segundo lugar deixou patente que não é um tribunal independente, que é suscetível à pressão da mídia e que seus ministros são propensos a arroubos de heroísmo, incompatíveis com a seriedade da Suprema Corte.

E por último a Suprema Corte se aventurou em um julgamento atípico, conjectural e ideológico, nos quais ministros arriscaram teses jurídicas e apresentaram votos que se assemelhavam à peças de acusação.

A isso somam-se decisões recentes do STF a favor de poderosos, criminosos conhecidos e interesses econômicos. E para coroar, a cereja do bolo: o abuso da teoria do Domínio do Fato, cujo mal uso é condenado pelo seu próprio criador. Genoíno e Dirceu foram cobaias de um tribunal político improvisado.

O STF poderia ter julgado fora do período eleitoral, de maneira discreta, sem fazer populismo judiciário, atento ao princípio da dúvida e sem inverter o ônus da prova.

Condenando ou não, deveria ter cumprido um papel digno de uma Suprema Corte: agir acima que qualquer suspeita. Não procedeu assim. A parcela mais crítica da sociedade deve colocar suas barbas de molho e o STF no lugar que lhe cabe: o de suspeito de ter cometido um crime político.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A política do ódio


As pessoas se orgulham de cultivar o ódio aos partidos políticos no Brasil. Sem saber odeiam a própria democracia, que só é possível através dos partidos políticos. A política reflete a maturidade de uma nação, e nada mais imaturo do que praguejar e não fazer nada para mudar.

Muitos pensam que estão fazendo algo quando amaldiçoam os partidos, mas estão apenas participando ativamente da engrenagem da alienação: estimulando o imobilismo, aumentando a crença de que todos são iguais, nada tem jeito e nunca vai mudar. Trabalham efetivamente para as forças sociais conservadoras, mas se consideram heróis da resistência ética e moral.

Os que concordam com o regime político atual – democracia - e se sentem impelidos a participar, devem se posicionar ante aos partidos: ou concordam com algum, ou tentam transformar outro ou criam um novo. Pregar contra todos é cômodo e oportunista. Salvo aqueles que discordam da democracia em si.

Mas o pior sintoma deste quadro político é a presença do ódio como discurso. Ele parece ser elemento fundamental da política nacional: nas eleições o povo sempre é estimulado a odiar alguém ou algum grupo. Será que um bom futuro pode ser construído com base no discurso de ódio, em xingamentos públicos, em ofensas destrutivas?

Esta é a prática política atual, é o retrato do povo Brasileiro. Incômodo retrato, que só os outros aparecem. São sempre os outros que odeiam.

A má qualidade dos nossos políticos só reflete o desalinho do nosso tecido social. E a chave da transformação não pode ser o ódio. Aliás, o amor é muito mais gostoso...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Transformação política no Brasil

O resultado das urnas confirmou o amadurecimento político do país. Em número absoluto de votos PT, PSB e PDT cresceram, o PSD surgiu em órbitas governistas, PMDB, PSDB e PP cairam. O DEM despencou.

Veja o quadro de votos no primeiro turno: PT - 17.188.748; PMDB - 16.665.662; PSDB - 13.842.265; PSB - 8.600.892; PDT - 6.248.481; PSD - 5.813.451; PP - 5.379.256; e DEM - 4.529.936

O PT é o maior partido do Brasil em número de votos. É um grande partido, com muitas disputas internas, habitado por alguns aproveitadores, mas que penetrou o coração das massas com sua política de promoção da justiça social. O partido precisará ter sabedoria para não se desviar para o populismo nem cair no clientelismo tradicional da política nacional.

O bombardeio midiático não surtiu os efeitos desejados pelos seus barões, e até surtiu efeito inverso. Ao saturar a audiência com o mantra do mensalão a mídia colaborou para banalizar o tema. Ao mesmo tempo na internet divulga-se que os outros partidos são os campeões de corrupção segundo dados oficiais, e fica mais evidente o interessado silêncio da mídia sobre o que não lhe convém. A grande mídia no Brasil está desacreditada.

O país carece do surgimento de grandes grupos alternativos de comunicação, que disputem a audiência em todos os meios: TV, Rádio, Internet e Impressa, para democratizar o acesso a informação garantindo a multiplicidade de opinião. E o amadurecimento político depende de uma prática mais qualificada dos meios de comunicação na política. Enquanto estes forem meros agentes de interesses particulares, o processo de instalação da democracia não estará completo.

Mas sobretudo é necessário mudar o financiamento de campanhas tornando-o mais público e menos privado. O financiamento privado implica em compromisso do político eleito com interesses empresariais, nem sempre republicanos. O impacto nos cofres públicos desta lógica política perversa é diversas vezes maior do que o financiamento público, mas há um incômodo silêncio sobre o tema.

Avançamos nestas eleições, e podemos avançar mais ainda fora do período eleitoral, lutando pela reforma política e pressionando os parlamentares para que estes privilegiem os interesses do povo em detrimento dos interesses das oligarquias políticas.

A democracia no Brasil amadureceu e se fortaleceu, mas passos decisivos ainda precisam ser dados. E é preciso coragem para caminhar.

terça-feira, 17 de abril de 2012

CPI do Trocadilho

CPI é espetáculo. Reality show da política.

O público adora espetáculo, adora "o vazamento de uma bisbilhotada". Antes o circo, depois o pão. É a lógica da geral.

E qual a lógica dos atores políticos? Sair do "reality show" bem na foto, quiçá vencedor. É um jogo, e no caminho aliados são eliminados, assim como adversários.

Governo nenhum gosta de CPI porque atrasa o cronograma do executivo. É da natureza do Governo ser contra CPIs, mas quando é inevitável que aconteça, está no jogo também. Pode adotar a postura de que não está jogando como estratégia no jogo, é válida.


Os meios de comunicação farão a edição do espetáculo de acordo com seus roteiros e interesses. Mas desta vez estão na condição de investigados também.


Ao púbico cabe saber que é um show, e duvidar das edições. Bisbilhotar vai ser divertido para o entretenimento das massas. Se o Brasil sair melhor, melhor. Se não, valeu o espetáculo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Existe um hiato na democracia

1. Existe um hiato na democracia de massas entre a pessoa do político e a figura pública do político. Assim como existe um hiato entre homofobia e o interesse homo enrustido. Ou entre o machismo e o (dominio do) poder concreto da fêmea.

Pesquisas monstram que os heteros homofóbicos sentem mais atraçāo por figuras do mesmo sexo do que heteros liberais. Metaforicamente @ vestal mais rápido se locupleta. A figura vestal é a que mais fácil se entrega aos dotes alheios. O poder é potência e é alienável.

2. A mídia é um ator institucional na democracia do espetáculo, mas sua atuaçāo nāo é regulamentada dentro do regime político. Os conglomerados de mídias agem como se fossem partidos políticos, defendem seus interesses através do controle de meios de comunicaçāo social.

Recebem financiamento público de suas campanhas através de verbas de propagandas estatais e governamentais. Muitas verbas sāo quase acaches. Recebem financiamento privado de corporações que nāo costumam investir nos veículos que falam mal delas. Recebem financiamentos individuais dos crédulos e dos leitores.

3. O poder financeiro, embora muito mais regulamentado, é eticamente livre para cometer qualquer lucro. Os lucros ilegais sāo sabidamente maiores do que os legais, e sāo "perdoados" sempre que nāo sāo descobertos. Ninguém deixa de ser amigo de um contraventor se ele nunca for pego, esta é a regra nāo enunciada.

A licitaçāo é a casa das orgias entre o público e o privado. Os convidados sāo poucos e pagam caro para entrar. Financiamento privado de campanha pública é ingresso de cadeira cativa. Quem registra a festa ganha bem para nāo publicar.

4. Os Movimentos Sociais têm por natureza uma condiçāo de carência de poder. Esta característica fundamental deve ser considerada na sua funçāo social como um elemento de fraqueza. Sua voz deveria ser amplificada e os benefícios obtidos distribuídos igualitariamente. Mas é comum o contrário.

Os movimentos sociais sāo reféns da própria mediocridade humana. Mediocridade interna quando os interesses particulares sāo travestidos de coletivos, e mediocridade alheia quando sāo nobres em valores mas nāo penetram na hipocrisia geral.

O único movimento social abundante de poder é o religioso.

5. Está em curso no Brasil um choque de interesses entre os poderes formais instituídos, os informais e os ilegais. Uns  compram outros vendem a nossa paz, e os ilegais intermediam o negócio. Os poderes informais - financeiro, comunicacional e movimentos sociais - preferem continuar informais.

Somente os movimentos sociais tem pouco (ou quase nenhum) acesso aos poderes formais da democracia. O poder efetivo dos movimentos sociais sāo reduzidos justamente pela ausência de poderio econômico e comunicacional. Já os poderes informais fortes podem desfrutar, apoiar ou até mesmo produzir movimentos sociais ao seu dispor, especialmente os religiosos.

6. A opiniāo pública é uma fragilidade democrática, pois é produzida por imagens frequentemente falsas, geralmente a serviço da representaçāo particular. O povo é um ente coletivo que nāo representa ninguém, simplesmente porque nāo se representa no palco político. Ninguém nunca viu o povo atuar, mas sim pessoas atuarem em nome do povo.

Dos poderes todos atuam em nome do povo, menos o financeiro que atua para o povo em nome dos seus interesses próprios. Todos atuam para o povo, menos o judiciário que atua para as leis (ou deveria). Todos tem interesse próprio, e como o povo é rigorosamente ninguém, "farinha pouca meu angú primeiro".

O poder difuso é o único nosso, que nāo se organiza direito e acaba organizado por todos.

7. Sair para onde? Talvez a pergunta a ser feita é sair quando...

O poder comunicacional está em disputa, sempre. Esteve muito concentrado nos últimos tempos, mas os tempos mudam. O poder financeiro também esteve muito concentrado desde que foi criado, mas as criações mudam.

Os poderes religiosos vocês que negociem diretamente com os Deuses, ou com os seus legítimos representantes, claro.

Já os poderes formais poderiam ser sujeitos todos a mesma regra de intolerância com a corrupçāo da alma. Deveriam ser todos poetas da vida, deixando de lado as palavras da astúcia. Mas somos todos humanos, demasiadamente humanos...

Enfim, talvez tudo se resuma ao sexo. E essa revoluçāo fica tāo mais longe quanto mais próxima está.

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